Cultivo de maracujá doce pode gerar mais renda dentro da agricultura familiar

O Brasil é atualmente o maior produtor mundial de maracujá, produzindo por ano aproximadamente um milhão de toneladas da fruta. Contudo, 95% dos pomares brasileiros produzem maracujá-azedo havendo pouca dedicação para o fruto do tipo doce. Pensando nesse aspecto do cenário produtivo é que o pesquisador Fábio Faleiros, da Embrapa Cerrados, do Distrito Federal, trouxe o cultivo do maracujá doce BRS Mel do Cerrado para apresentar ao público da Tecnofam – Tecnologias e Conhecimentos para Agricultura Familiar, no município de Dourados. A nova variedade foi lançada bem recentemente, em dezembro de 2017.

 

“Essa cultivar é fruto do melhoramento genético ao longo de mais de 15 anos de estudos. Ela vem de uma espécie nativa [Passiflora alata] do Brasil já cultivada para comercialização na década de 70. A nova cultivar, além do sabor agradável, tem alta produtividade e maior tolerância a pragas”, enfatiza.

 

Um trabalho que chamou a atenção da engenheira agrônoma Aline Mohamud, que é também pesquisadora da Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer). “Está tendo muito questionamento por parte dos agricultores familiares de Mato Grosso do Sul sobre essa nova cultivar. Vir até a Tecnofam foi interessante para ver de perto e conversar com os pesquisadores ligados ao assunto. Duas cultivares que pretendo avaliar no Estado através de experimentos futuros”.

 

 

Experiente nos estudos sobre o maracujá-azedo, Aline contou que algumas das variedades apresentadas na feira tiveram bom desenvolvimento em pequenas propriedades rurais em Campo Grande e Três Lagoas. “Pela Cepaer [Centro de Pesquisa e Capacitação da Agraer], eu e a pesquisadora Olita Sallati já testamos as cultivares Rubi do Cerrado, Gigante Amarelo e Sol do Cerrado que, inclusive, estavam entre as variedades expostas na Tecnofam”.

 

Lado a lado, cada cultivar foi apresentada aos agricultores familiares, também, com o objetivo de mostrar que é possível o plantio de forma consorciada. “Cultivar o maracujá azedo e o doce em uma mesma área não tem problema algum. Cada planta deverá ter o seu espaldamento, porém, se o produtor rural quiser ter as duas variedades é algo bem possível”, enfatizou o pesquisador da Embrapa Cerrados.

 

Uma realidade que pode ajudar na polinização das plantas e no orçamento no final do mês. “A flor do maracujá doce abre das 8h às 12h, enquanto a do azedo abre à tarde, das 14h às 17h. Essa diferença de horário permite que o produtor se programe sobre os cuidados de cada cultivar, permitindo a polinização manual, por exemplo, nos horários de menor incidência do sol”,

avaliou Faleiros.

Maracujá BRS Mel do Cerrado Foto: Embrapa

 

Seja azedo ou doce o cultivo de maracujá é muito indicado dentro da linha familiar garantiu o pesquisador. “Duas e três pessoas conseguem polinizar manualmente um hectare sem nenhum problema. Em áreas próximas às matas têm como contar com a ajuda de polinizadores naturais como as abelhas”.

 

O maior desafio mesmo está na formação de clientela em relação ao maracujá doce. “O agricultor familiar vai gastar um tempo maior para encontrar comercialização. Daí a ideia de começar com pequenas áreas e tendo o maracujá azedo como outra fonte de renda. Entretanto, o lucro do maracujá doce é mais atrativo, podendo chegar a quatro vezes mais que o maracujá azedo. No Distrito Federal, o preço pode chegar a R$ 10,00 o quilo sendo que o maracujá azedo fica em torno de R$ 3,00”, afirmou Faleiros.

 

Já o custo na formação de área não foge da realidade de qualquer investimento para fins comerciais dentro da agricultura familiar. Valor que não difere em nada se comparado ao maracujá azedo. A céu aberto, o produtor familiar terá um gasto em torno de R$ 20 mil o hectare. Já em uma estufa de cerca de 300 a 400 m² o custo deverá ser de R$ 5 a 6 mil, dependendo dos materiais escolhidos para a instalação.

 

BRS Pérola do Cerrado Foto: Embrapa

 

“Dentro dessa linha de maracujá doce também apresentamos a cultivar BRS Pérola do Cerrado que foi lançada no ano de 2013. Trata-se de uma cultivar alternativa para o mercado de frutas especiais com forte valor agregado dentro do mercado”, pontou Fábio Faleiros.

 

Tanto o maracujá doce do tipo Mel do Cerrado como Pérola do Cerrado têm não apenas a boa produtividade como característica. A exuberância das flores evidencia também um forte potencial ornamental. São indicadas para uso na fruticultura ornamental, com utilização das flores, frutos e da própria planta no paisagismo de grandes áreas como cercas e pérgulas.

 

Por fim, Fábio Faleiros destacou que há um manual disponibilizado pela Embrapa para os agricultores familiares que tenham interesse em obter mais informações sobre o cultivo do maracujá azedo e do doce. “É uma publicação feita pela Embrapa juntamente com parceiros para tirar dúvidas de produtores. Houve o envolvimento direto de 39 especialistas da Embrapa e de instituições de ensino e de assistência técnica e extensão rural do Brasil como um todo”.

 

Flor do maracujá Pérola do Cerrado Foto: Embrapa

 

O livro contém 500 perguntas e respostas relacionadas à adubação, sistema de condução de podas, manejo de plantas invasoras, colheita, comercialização e uma infinidade de outros temas ligados ao cultivo de maracujazeiro. Outras informações sobre como ter acesso às mudas e sementes também podem ser obtidas neste link.

 

De caráter bienal, a Tecnofam foi realizada esta semana, de 17 a 19 de abril, pela Embrapa em parceria com o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, por meio da Agraer, Semagro e Fundo para o Desenvolvimento das Culturas de Milho e Soja (Fundems). O evento ainda conta com outras instituições públicas e privadas ligadas ao setor produtivo.

Meliponicultura: zootecnista evidencia importância da criação de abelhas nativas

Assim como os povos indígenas, as abelhas melíponas – espécies nativas desprovidas de ferrão, já residiam no Brasil antes mesmo de 1.500, quando as caravelas portuguesas aportaram no litoral do que é, hoje, o estado da Bahia. Contudo, mesmo com moradia pra lá de centenária em solo tupiniquim, a meliponicultura é uma atividade pouco conhecida pela maioria dos brasileiros, visto que a maior parte da produção de mel advém das abelhas Apis melliferas ou africanizadas, um cruzamento das abelhas Apis, da Europa e da África.

 

Formada em zootecnia e tendo a apicultura como paixão, a servidora da Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer), Jovelina Maria de Oliveira, propôs apresentar aos agricultores familiares a vertente da meliponicultura dentro da Tecnofam – Tecnologias e Conhecimentos para Agricultura Familiar.

 

“A Apis mellifera tem o seu valor. Porém, a meliponicultura também tem o seu valor tanto econômico como o nutricional. E o interessante de apresentarmos este trabalho na Tecnofam foi que as pessoas puderam se aproximar das colmeias sem nenhum medo e sem a necessidade de colocar uma roupa de proteção”, observa.

 

Na bancada da zootecnista foi possível conferir o comportamento das abelhas através das colmeias artificiais feitas à base de madeira. “Há um vidro em cada caixinha [colmeia] que as pessoas puderam ver enquanto eu explicava um pouco do comportamento de cada espécie”.

 

Na bancada da zootecnista foi possível conferir o comportamento das abelhas através das colmeias artificiais feitas à base de madeira.

 

Marmelada, Moça Preta, Jataí ou Jati, Mirim, Manduri e Mandaçaia são as espécies de abelhas sem ferrão expostas dentro do eixo Tecnologia a Campo, na 3ª edição da feira. Uma das grandes vantagens do mel desse tipo de abelha refere-se ao seu menor teor de açúcar em relação ao da Apis .

 

O mel dessas abelhas também possui um grande valor medicinal. Sabe-se que ele possui, também, uma elevada atividade antibacteriana sendo usado contra doenças pulmonares, resfriado, gripe, fraqueza, e infecções de olhos. “Costuma-se dizer que a melhor espécie de abelha é a que produz mel, ou seja, todas as espécies com ou sem ferrão tem o seu nível de importância. Mas, aqui, queremos ressaltar algo que faz parte das nossas raízes desde muito tempo e que tem sua viabilidade produtiva”, enfatizou a zootecnista.

 

Além das colmeias, os visitantes tiveram a oportunidade de degustar algumas variedades de mel para conferir no paladar a característica de cada um. Dentre os pequenos potes expostos um dos que mais chama a atenção é o mel de jandaíra devido a sua coloração.

 

“Eu trouxe mais para conhecimento das pessoas mesmo. O foco são as abelhas sem ferrão de Mato Grosso do Sul. Mas, o gosto do mel da jandaíra é bem agradável também e a cor chama a atenção de quem passa, pois aqui não é muito conhecido”, disse.

 

A jandaíra é uma espécie de abelha do bioma da Caatinga (que ocorre exclusivamente no Brasil), nas terras secas do semiárido, e distribui em estados como Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.

 

Jovelina ainda destacou pontos que vão além da sua participação na Tecnofam. “Pela Agraer eu participo de um grupo que discute a necessidade de se ter uma câmara setorial de meliponicultura. Precisamos formular uma lei que trate sobre esse eixo, pois a lei nacional trabalha sobre o mel de forma generalizada. Há características peculiares de cada tipo de abelha, com e sem ferrão”, argumentou.

 

Os visitantes tiveram a oportunidade de degustar algumas variedades de mel para conferir no paladar a característica de cada um.

 

A ideia é estabelecer uma lei que facilite a comercialização do mel de abelhas sem ferrão e, ainda, traga melhores garantias de preservação das espécies. “Em fevereiro, a Bahia aprovou um projeto de lei e, queremos fazer o mesmo. Com isso a gente fortalece a cadeia produtiva desse tipo de mel e fomenta a renda dos meliponicultores. Apicultor é somente quem trabalha com as abelhas Apis, os que trabalham com as sem ferrão são chamados de meliponicultores”, observa Jovelina.

 

Uma lei desse tipo facilita execução de pesquisas científicas, educação ambiental, implantação de meliponários, conservação, exposição, reprodução e comercialização das abelhas, produtos e subprodutos, tais como: mel, pólen e própolis, sejam para o consumo doméstico ou para o comércio dentro de Mato Grosso do Sul.

 

Na história do Brasil

 

As abelhas nativas ou abelhas sem ferrão (ASF) já viviam no Brasil muito antes das espécies estrangeiras chegarem aqui. As melíponas povoam diversos biomas do território brasileiro com mais de 300 espécies.

 

A meliponicultura é uma atividade de criar abelhas deste grupo, diferindo da apicultura que é a atividade de criação das abelhas Apis mellífera, popularmente, conhecidas como “europeias” ou “africanas”.

 

Por volta do século XVIII os jesuítas trouxeram abelhas da Europa do tipo Apis para o Brasil. O objetivo era produzir cera para as velas usadas nas missas. Na década de 1950 pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) trouxeram para o interior de São Paulo algumas abelhas da África, também do tipo Apis, que tinham bastante produtividade. Contudo, algumas abelhas, operárias e rainhas, escaparam do laboratório, indo parar diretamente na natureza. Do cruzamento com outras abelhas do tipo Apis – as europeias, surgiu o que conhecemos, hoje, por abelha Apis mellíferas ou africanizada, sendo conhecida também pelo poderoso ferrão que possui.

 

De caráter bienal, a Tecnofam aconteceu de 17 a 19 de abril, pela Embrapa em parceria com o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, por meio da Agraer, Semagro e Fundo para o Desenvolvimento das Culturas de Milho e Soja (Fundems). O evento ainda conta com outras instituições públicas e privadas ligadas ao setor produtivo.

Reforma de pastagem contribui da conservação do solo à produção de leite

Se a agricultura familiar é a responsável por 70% dos alimentos que chegam às mesas dos brasileiros é preciso lembrar que esses produtos não caem do céu, mas que eles surgem da terra. E neste domingo, 15 de abril, data em que se celebra o Dia Nacional da Conservação do Solo, a Agraer (Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural) apresenta mais um bom trabalho que vem sendo colocado em prática no interior do Estado, mais precisamente no município de Ribas do Rio Pardo, de recuperação de pastagem e, consequentemente, conservação da terra.

 

É lá, nos assentamentos Nossa Senhora das Graças e no Melodia, que 30 produtores de leite vêm recebendo a assistência técnica devida do zootecnista da Agraer, Antônio Marco Júnior, dentro da produção de leite. Iniciado no final de 2017, o trabalho tem mostrado bons resultados com pasto renovado, rebanho nutrido, solo protegido e, claro, o balde cheio com redução de custos.

 

“O Júnior é um menino muito bom que correu atrás das coisas, levou a gente para palestras para entender a importância do assunto. No sítio, consegui reduzir o número de animais e manter a mesma produção de 80 litros de leite/dia. Se antes eu tinha 10 cabeças no rebanho, agora, tenho seis. Fui vendendo algumas e para comprar outras de melhor genética, girolando”, afirma.

 

Para o zootecnista a melhor forma de garantir boa produção de leite é oferecer alimento cultivado dentro do sítio. “Na agricultura familiar o que falta é comida, alimentação, suficiente para as vacas manifestarem seu potencial. Dentro trabalho os produtores foram instruídos a preparar uma alimentação com quantidade e qualidade mais adequadas. O alimento mais barato que se possa fornecer aos animais é aquele produzido dentro da sua propriedade”, garante.

 

Abertura de sulco para plantio de cana-de-açúcar

E para que isso de fato acontecesse os produtores foram orientados a começar do zero, ou seja, do trato do solo à construção de piquetes. Análise de solo, gradeação, calagem (aplicação de calcário para correção de acidez), adubos, aplicação das sementes das carpneiras (Mombaça e braquiara), o plantio de cana-de-açúcar em uma área delimitada para alimentação animal, formação de piquetes e manutenção do pasto foram às medidas adotadas dentro do projeto.

 

“A gente comprou o calcário, mas a carreta era da Agraer, custo zero no frete, e porque teve parceria com a prefeitura no combustível. O Júnior também conseguiu com a prefeitura a calcareadeira, não pagamos o aluguel, também, foi de graça a análise de solo. Recebemos cana de qualidade, melhorada”, disse o produtor Ademilson Vergot, do assentamento Nossa Senhora das Graças que se sente satisfeito com as mudas de cana-de-açúcar doada pelo Cepaer – Centro de Pesquisa e Capacitação da Agraer, “ao contrário do milho que precisa de replantio, a vantagem da cana é que ela rebrota. A gente vai só corrigir o solo, adubar e tem como ter cana por três ou quatro anos sem se preocupar com as mudas”.

 

A indicação da cana foi feita pelo zootecnista por ser viável a realidade dos dois assentamentos principalmente no período de estiagem, inverno. “A cana, se plantada de maneira correta pode render de 120 a 150 toneladas de matéria verde por hectare, o que a torna interessante em uma pequena propriedade. E um alimento que tem menor valor nutricional se comparado a silagem de milho, por exemplo. Porém, tem como fazer correção de solo com o uso de ureia, elevando de 3% para 12% a quantidade de proteína”, explica o zootecnista Antônio Marcos Júnior.

 

“Com tudo o que fiz, tive um custo de R$ 3 mil reais na recuperação de 3 hectares, sendo que no ano passado entre as idas e vindas comprando silagem em Campo Grande, gastei R$ 4mil. Hoje, tenho cana e o pasto de braquiara e mombaça. Tenho variedade uma maior oferta de alimento para as vacas que é para não enjoar. São bem tratadas e eu estou satisfeito com o esforço do Júnior”, conta Ademilson.

 

Agricultor inspecionando qualidade do pasto

Satisfação compartilhada pelo produtor José Aparecido dos Santos, do assentamento Nossa Senhora das Graças. “Com as orientações do Júnior a gente está colocando na cabeça que o que geralmente falta para aumentarmos a produção e a mantermos durante todo o ano é a comida para o rebanho. Outra coisa também sempre falada é que o alimento mais barato deve ser o feito dentro da propriedade e, se fazer certinho e com orientação o resultado chega”.

 

Como o que o produtor Aldeci garante ter visto chegar ao seu sítio. “Como os outros fui aconselhado a plantar cana porque aqui eu não tenho local para guardar a silagem. Na seca, segurei o gado com cana e deu para atravessar. Eu não faço silagem, trituro a cana no mesmo dia e misturo com a ração”, diz.

 

E mesmo com os investimentos feitos em torno de R$ 7 mil reais na propriedade, Aldeci se vê agradecido. “Compensou sim. As vacas já têm bezerros, estão nutridas. Tem leite para as crias e para a comercialização. Elas não emagrecem, o pasto está verde e a gente tem que pensar que uma vaca come de 30 a 20 quilos e, quando não tinha, já cheguei a dar só 10 quilos. Hoje está mudado”.

 

Área de pastagem antes

Uma mudança que não começou do dia para a noite. Os produtores vêm desenvolvendo o trabalho a pelo menos um ano e meio, e a acessibilidade ao maquinário contribuiu com o andamento dos serviços. “Muitas vezes os produtores têm dificuldades em preparar o solo para plantio pela falta de maquinário nas pequenas propriedades e o custo elevado de terceirizar a hora máquina por hectares”, lembra o zootecnista da Agraer.

 

“Em 2016, fiz a recuperação de um hectare e, no ano passado, foi à vez de recuperar os três hectares restantes de pasto, e de meio hectarede cana, hoje, já tenho um hectare”, lembra Aldeci que aproveitou o momento para também buscar acesso ao crédito do Pronaf – Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar. “Para ter leite tem que ter pasto e isso é certo. E sem auxílio dado pela Agraer ou dinheiro não se faz nada. Então, fiz um empréstimo de R$ 27 mil para compra de três vacas, uma trituradeira de cana, um reservatório e investi na reforma do pasto. A roda d’água eu fiz com por conta própria”.

 

Área de pastagem depois

E todas essas ações ajudam o produtor a enfrentar os problemas de mercado, contribuir com a qualidade do leite, garante a preservação do solo e, claro, um retorno financeiro. “Antes a produção ficava em 20 a 25 litros de leite e tem dias que já cheguei a 50 litros. A gente dobrou a produção e tudo isso devemos as parcerias. O trabalho do Júnior foi ótimo, um menino atencioso quando vem aos sítios”.

 

Preparo do solo (Gradeação) para renovação de pastagem

Atenção que veio desde análise de solo até a formação de piquetes. “A avaliação da atual situação do solo permite o cálculo correto da quantidade de produto, calcário e adubos, necessários a serem aplicados na área com base na cultivar [capim] a ser implantada. Uma causa frequente de insucesso na renovação de pastagem, que ocorre tanto com pequeno como com grande produtor é o plantio incorreto que se deve a quantidades insuficientes de sementes, escolha errada da espécie de forrageira para determinada área, compra de insumos em procedência, uso errado de fertilizante ou mau uso do solo que irá se degradar. Enfim, detalhes que fazem a diferença lá no fim do trabalho, produção de leite”, evidencia Júnior.

 

“Esse ano a gente está colocando a cabeça mais tranquila no travesseiro. A gente vem se preparando para enfrentar o período de seca, manter a produção e buscar um bom preço do leite”, completa o produtor Ademilson.

 

Texto: Aline Lira

Acadêmicos paraguaios visitam propriedade rural assistida pela Agraer

A Agraer (Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural) de Antônio João recebeu na última semana, 11 de abril, a visita de 30 alunos da Universidad Nacional de Asuncion, Faculdade de Ciências Agrárias, filial Pedro Juan Caballero.

 

O grupo formado por acadêmicos do oitavo semestre do curso de Engenharia Agronômica e do quarto semestre do curso de Administração Agropecuária teve a coordenação dos professores Victorina Barreto (área de olericultura), Ramón Ojeda (área de fitotecnia).

 

A campo

 

A visita teve por objetivo apresentar aos acadêmicos a realidade de uma família da agricultura familiar, e a sua produção de hortifrúti. “Recepcionamos o grupo, na chácara Vitória,  do casal Valdete dos Santos e Rosenilda Rodrigues, por ser uma propriedade modelo em que os estudantes veriam de perto boas práticas, ou seja, muita coisa do que eles estudam nos livros. O imóvel tem 4,5 hectares e foi adquirido dentro do Programa Nacional de Crédito Fundiário”, explica o coordenador da Agraer de Antônio João, João Alfredo da Silva.

 

O início dos trabalhos contou com uma recepção aos estudantes com um café da manhã com produtos oriundos da chácara (laranja, banana maçã, mamão, pão, mel, sucos e caldo de cana).

 

“Após a refeição, começamos as atividades técnicas com uma  explanação sobre manejo de pós-colheita de tomate, banana e poncã. Em seguida, foi realizada a apresentação do pomar de banana, e o manejo de colheita e pós-colheita, observando ponto como despenca do cacho, armazenamento em caixa para maturação, tratamento com carbureto e apresentação de produto após três dias do tratamento”, detalhou o engenheiro agrônomo da Agraer, Welvis Silva.

 

O sistema de irrigação da propriedade também foi outro trabalho que os alunos puderam ver de perto. “No sítio há uma bela estufa para cultivo de tomates. Por conta disso, aproveitamos para falar sobre o cultivo de tomate em estufa, suas vantagens e desvantagens, sendo explicado o manejo e tratos culturais que compreende a adubação, o controle de pragas, doenças, irrigação, controle de plantas daninhas, desbrota, colheita, classificação e comercialização”.

 

Outro ponto alto da visita foi o sistema de criação de peixes. Dentro do sítio há três tanques, com criação de pintado, tambacu, carpa e piau. “Os estudantes ainda percorreram pela área de cultivo de quiabo, berinjela, pimentão, pepino e abóbora e abordamos sobre os sistemas de produção, diversificação e rotação de culturas, assim como sobre o manejo e tratos culturais”, destacou o coordenador da Agraer de Antônio João.

 

Por fim, o grupo conheceu o sistema de pastejo rotacionado e a dinâmica de manejo de pastagem na criação de gado de leite da chácara, além de terem a oportunidade de conversar in loco com os donos do imóvel rural, Valdete e Rosenilda.

 

Texto: Aline Lira

Ampasul promove encontro técnico da colheita do algodão no sul de MS

Mato Grosso do Sul possui duas regiões com distintas épocas de semeadura do algodão, inicialmente na região sul, a partir do mês de outubro e em dezembro e janeiro, na região norte.

 

Na região sul, no Município de Sidrolândia, o cotonicultor Lúcio Basso iniciou a colheita do fio natural e na terça-feira (17) a Ampasul promove o Encontro Técnico da Colheita do Algodão. Será o encontro na Fazenda Recanto, de Lúcio Basso, na margem da BR 060, na saída para Nioaque.

 

Segundo o Diretor Executivo da Ampasul, Adão Antônio Hoffmann, na oportunidade estarão na Fazenda Recanto, produtores rurais com potencial para ingressar, ou retornar a atividade da cotonicultura de Sidrolândia, de Maracaju, Campo Grande e Naviraí.

 

O encontro é mais uma ação de difusão da cultura do algodão no sul de Mato Grosso do Sul e para levar informação aos participantes sobre o trabalho que a associação desenvolve para dar suporte aos cotonicultores do Estado.

 

Um agrônomo consultor técnico da fazenda irá palestrar aos participantes sobre informações do manejo da área, custo de produção safra e segunda safra, além do testemunho do cotonicultor anfitrião.

 

O Encontro Técnico da Colheita do Algodão, na Fazenda Recanto ocorre a partir das 8h45 e conta com apoio do IBA (Instituto Brasileiro do Algodão), Copasul e Fundação MS.

 

Fonte: Ampasul 

Preço do milho em Mato Grosso do Sul aumenta 32%, segundo a Famasul

Em março, a saca do milho registrou média R$ 31,51, cerca de 32% a mais que o mês de fevereiro. A informação foi divulgada no Boletim Casa Rural, elaborado pela Unidade Técnica do Sistema Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mao Grosso doSul).

 

Em relação ao mesmo período do ano passado, quando o valor estava em torno de R$ 23/saca, o aumento é de 32,23%.

 

“As cotações internas do milho experimentaram forte valorização ao longo do mês de março, impulsionadas principalmente pelas condições de oferta na Argentina e apreciação do dólar”, afirma o analista técnico do Sistema Famasul, Luiz Gama, que acrescenta ainda: “Segundo o USDA os Estados Unidos tiveram uma queda de 2,43% na área a ser semeada com milho em relação à safra anterior, o que repercutiu no mercado interno brasileiro”.

 

Em relação à soja, em comparação ao mês de fevereiro, o preço teve aumento de 6,75% em março, anotando média de R$ 66,27. “Igual ao milho, as condições climáticas adversas na Argentina, 3º maior produtor mundial da oleaginosa, e a perspectiva de redução de área nos Estados Unidos, líder em produção deste setor, influenciaram no aumento do valor do grão no Estado”.

 

Clique aqui e leia o relatório completo.

 

 

Fonte: Aprosoja

Fórum Regional: conhecimento científico dá suporte a políticas públicas

Código Florestal Brasileiro, Marco Referencial ILPF e Plano ABC – Agricultura de Baixa Emissão de Carbono, exemplos de políticas públicas que tiveram contribuição da pesquisa agropecuária em suas formulações, recentemente. Cada vez mais os institutos de ciência e tecnologia, como a Embrapa e IAC, assumem esse desafio como missão, por meio de uma cadeia de valor, que agrega eficiência, eficácia e efetividade.

 

“Não necessariamente entregamos produtos, mas conhecimento”, afirma o diretor de Inovação e Tecnologia da Embrapa, Cleber Soares. Em palestra durante o 1º Fórum Rural Brasileiro, em Campo Grande (MS), Soares explicou a estrutura programática da entidade e como seus projetos funcionam para gerar resultados que impactem, como os subsídios técnicos às políticas públicas.

 

A começar pelo atual mapa estratégico da Empresa, associado à agenda de desenvolvimento sustentável das Nações Unidas, constituída por 17 objetivos (ODS), entre eles, erradicação da pobreza, segurança alimentar, educação inclusiva, igualdade de gênero e geração de emprego e renda.

 

Construído em base científicas, o Marco Referencial Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) trouxe um olhar para os sistemas integrados que vai além do bem-estar animal e é mais uma mostra de interrelação. Para Soares, o Marco abriu portas para um conceito moderno de carne sustentável produzida nos trópicos, que passa pela precificação de carbono, já em discussão por representantes governamentais e pesquisadores da Empresa em Mato Grosso do Sul. “É um mercado aberto e precisamos nos antecipar”, frisa o diretor.

 

Rede BioFort, programa de biofortificação de alimentos, é outra representação, comenta. Com onze cultivares melhoradas, um dos destaques é a batata-doce Beauregard, que apresenta dez vezes mais carotenoides (pró-vitamina A) do que as concorrentes disponíveis no mercado.

 

Solo – O Sistema de Inteligência Territorial da Macrologística da Agropecuária Brasileira é também um exemplo. A plataforma georreferenciada disponibiliza dados sobre a produção agropecuária. Palestrante no Fórum, o analista da Embrapa Gustavo Spadotti Castro afirma que o serviço atua com três conceitos – atribuição das terras no Brasil, ocupação territorial e uso das terras.

 

Conforme o agrônomo, o Sistema faz recortes territoriais para múltiplas consultas e análises, com perfis agrário, agrícola, de infraestrutura e socioeconômico. Com base nesses dados, ele define a agricultura brasileira como uma das mais sustentáveis do planeta, com 66,3% em áreas destinadas à proteção e preservação de vegetação nativa (unidades de conservação, terras indígenas etc) e 30,2% para o uso agropecuário. Nos Estados Unidos, os números para uso agro saltam para 74,3% e ambiental, 19,9%.

 

“Como enfrentar a nova narrativa contra a agricultura? Como valorar o papel dos agricultores na preservação ambiental?” São os desafios para o uso das terras no País apontados pelo analista. Reforçando a possibilidade indicada por Cleber Soares, Castro ressalta a precificação da agropecuária nacional como oportunidade, simultaneamente, com a valorização de sua agricultura sustentável e encontrada nas inovações tecnológicas disponibilizadas à sociedade.

 

Além de Cleber Soares e Gustado Spadotti Castro palestraram no evento Eduardo Riedel (Governo do Estado de Mato Grosso do Sul), Ana Amélia de Lemos (senadora/RS), Francisco Graziano (engenheiro agrônomo e articulista) e Carolina Coelho (produtor rural). O Fórum integra a agenda técnica da instituição de pesquisa na 80ª Exposição Agropecuária de Campo Grande – Expogrande, que segue até o dia 15 na capital sul-mato-grossense, e foi promovido pela Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul) e Embrapa.

 

Fonte: Embrapa Gado de Corte

Fruto símbolo do MS, Guavira é tema de debate por especialistas na UFMS

Começou nesta quinta-feira (12), o I Seminário Estadual da Guavira ‘Conservação, Sustentabilidade e Potencialidades’, no Anfiteatro Multiuso da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). O evento é uma proposição do deputado Renato Câmara (PMDB), em conjunto com a Fundação Oswaldo Cruz, Agência de Desenvolvimento Agrário e Rural (Agraer) e a UFMS.

 

O parlamentar é o autor da Lei 5.082/2017, que declara a guavira como fruto símbolo do Estado de Mato Grosso do Sul. “A guavira é uma alternativa real, com o seminário queremos valorizar o fruto da nossa terra e no debate junto com vários setores da sociedade podemos desenvolver uma nova fonte de renda para pequenos produtores e assim difundir a cadeia produtiva da fruta”, afirmou o deputado.

 

O reitor da UFMS, Marcelo Turine, falou da necessidade de reconhecer o valor da guavira. “Eu comparo a fruta ao cacau no Nordeste pelo seu riquíssimo potencial, e a universidade está à disposição para as pesquisas”, ressaltou Turine.

 

Já a pesquisadora da Fiocruz, Ana Tereza Gomes Guerrero, reforçou a oportunidade criada pelo evento. “Temos que debater este assunto e parabenizo a Casa de Leis por ter aprovado uma importante lei para o Estado”, destacou. E o diretor-presidente da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia (Fundect), Márcio Araújo Pereira, complementou: “Entender a demanda nos ajuda a preparar o terreno e assim teremos bons resultados”, salientou.

 

“Nós entendemos que uma faculdade como a nossa tem a função de promover o ensino, a pesquisa e a extensão, e é esse o objetivo ao promovermos um seminário como este, isso me deixa feliz”, declarou a diretora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, Alimentos e Nutrição da UFMS, doutora Maria Lígia Rodrigues Macedo.

 

O diretor-presidente da Agraer, André Nogueira Borges, lembrou que foi o seu pai que lhe apresentou a fruta. “A guavira andava esquecida e fico muito contente com a lei do deputado Renato Câmara, e falo com o coração, porque lembro do meu pai. A fruta é muito importante para Mato Grosso do Sul e com certeza ainda vamos ouvir falar muito dela”, considerou.

 

O doutor José Felipe Ribeiro, da Embrapa Cerrado de Brasília, comentou da preocupação que tem. “O conceito de conservar implica no uso racional do recurso e aqui a necessidade de políticas públicas para a cadeia de fato funcionar”, falou. Na mesma linha a doutora da UFMS, Ieda Maria Bartolotto, alertou: “Precisamos de políticas públicas que possibilitem o desenvolvimento sem prejuízos”, disse.

 

E para finalizar a bacharel em Comércio Exterior e gastróloga, Letícia Krause, reforçou o valor da fruta. “Além de ensinarmos sobre a guavira, temos que dar valorizá-la, e lembrar que nossos ingredientes primitivos valem ouro”, explicou. Amanhã o debate continua durante todo o dia. Confira a programação aqui.

Governador debate mudança do Leitão Vida no Gabinete Itinerante

O programa Leitão Vida, que após 25 anos passa por uma reformulação a partir do trabalho da Câmara Setorial da Suinocultura, gerida pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), foi tema do encontro do presidente da Associação Sul-mato-grossense dos Suinocultores (Assumas), Celso Philippi Junior, do governador Reinaldo Azambuja e do titular da pasta, Jaime Verruck, no Gabinete Itinerante do Governo do Estado montado no Parque de Exposições Laucídio Coelho, onde acontece a 80ª Expogrande.

 

Nos últimos três anos o abate de suínos dobrou, fruto do trabalho de fortalecimento da atividade realizado conjuntamente pelo Governo do Estado e o setor privado. A afirmação é do governador que destacou a importância do incentivo ofertado através do programa Leitão Vida.

 

Gabinete itinerante na Expogrande: reforçando a integração do Governo do Estado com o setor produtivo

 

Reinaldo Azambuja comentou que no dia 18 de maio, num grande encontro de suinocultores em Dourados, será assinado o acordo de monitoramento ambiental, resultado do compromisso do Governo com as demandas apresentadas pelos suinocultores do Estado e com as questões sanitárias.

 

Ao destacar a preocupação com as questões sanitárias, o governador lembrou os problemas enfrentados não só pelos bovinocultores, mas também suinocultores, quando da ocorrência de casos de aftosa no passado e a importância do trabalho constante de monitoramento realizado pela  Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro). “Agora nós somos um Estado área livre de febre aftosa com vacinação, caminhando para o status de área livre ‘sem vacinação’. A preocupação com a sanidade é o item número um para todos nós”, completou.

 

Jaime Verruck destacou que, junto com a sanidade, a sustentabilidade é também um dos itens mais debatidos pela equipe da Câmara Setorial, responsável pela reformulação do programa. “Até então premiávamos apenas a produção e a produtividade. Com a reformulação, vamos agregar atributos de qualidade, especialmente voltados ao atendimento de requisitos em saúde animal, em biossegurança, sustentabilidade ambiental, bem- estar animal e associativismo”, explicou.

 

Segundo o secretário, com a nova roupagem os estabelecimentos participantes serão classificados como simples, intermediário e avançado, e a premiação passará a levar em conta o maior número de pré-requisitos cumpridos, exemplo disso, o proprietário que possuir biodigestores e fizer a utilização de biometano na produção de energia.

 

Ao reforçar o convite e a importância da participação do governador Reinaldo Azambuja e de Jaime Verruck na programação do Fórum de Desenvolvimento da Suinocultura de Mato Grosso do Sul, durante a 54ª Expoagro, no auditório do Parque de Exposições do Sindicato Rural, Celso Philippi destacou que estarão em debate o mercado de suínos, a sustentabilidade da atividade e a reformulação do programa Leitão Vida.  Também serão realizados atos em comemoração aos 25 anos da Associação.

 

Também participaram da reunião o secretário de Estado de Governo e Gestão Estratégica, Eduardo Riedel; o presidente da Aprosoja, Juliano Schmaedecke; o presidente da Famasul, Mauricio Saito; além de Nilton Hillesheim e Cid Sinamore, produtores e membros da Assumas

 

Suinocultura em MS e Programa Leitão Vida

 

Em Mato Grosso do Sul são abatidos anualmente próximo de 1,8 milhão de cevados (suínos prontos para o abate), e desses cerca de 90% são processados aqui mesmo no Estado pelas indústrias Aurora (em São Gabriel do Oeste) e Seara Alimentos (em Dourados).

 

Apenas uma pequena parte dessa produção, em torno de 300 a 400 mil animais, é exportada anualmente para os estados de São Paulo e Minas Gerais.

 

Atualmente fazem parte do programa Leitão Vida 250 granjas suinícolas, tendo cadastradas 60 mil das 70 mil matrizes existentes no Estado.

 

Todo trabalho de reformulação está sendo realizado de forma a auxiliar os produtores a atenderem as novas adequações de compartimentalização, que serão implementadas em breve pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.