Em MS, calendário de vacinação contra aftosa e ações do plano para retirada são mantidos

Em Mato Grosso do Sul será mantido o calendário de vacinação contra a febre aftosa, na primeira etapa, prevista oficialmente para maio próximo, bem como o calendário de ações programadas (para o Estado) do Plano nacional que prevê a retirada da vacinação até 2023.

 

A decisão foi anunciada após reunião do Diretor Presidente da Agência, Daniel Ingold, diretores de agências de todo Pais e representantes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) por teleconferência e em seguida com o Secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar, Jaime Verruck, este último presidente do Comitê Gestor do Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa (PNEFA), em Mato Grosso do Sul.

 

Segundo o secretário Jaime o cronograma de vacinação não sofrerá nenhuma alteração e os pecuaristas já podem organizar a sua programação para aquisição das doses da vacina, bem como a de aplicação.

 

Para todas as regiões sanitárias do Estado (Planalto, Fronteira e Pantanal) continua valendo a data de 15 de abril para pedidos de antecipação da vacinação.

 

A data de vacinação para os animais das regiões do planalto e fronteira tem início em 1º de maio e termino em 31 de maio. A declaração de vacinação, no sistema, para os pecuaristas destas duas regiões termina em 15 de junho.

 

O Pantanal, dada suas peculiaridades, continua com data diferenciada. A vacinação tem início em 1º de maio e o término em 15 de junho e a declaração pode ser feita até 30 de junho.

Portaria do Mapa especifica serviços para garantir funcionamento da cadeia produtiva

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) publicou Portaria nº 116 ontem (27), no Diário Oficial da União (DOU), que especifica produtos, serviços e atividades essenciais para garantir o pleno funcionamento das cadeias produtivas de alimentos, bebidas e insumos agropecuários durante a pandemia do novo coronavírus.

 

A normativa, assinada pela ministra Tereza Cristina, está alinhada ao Decreto n.º 10.282, de 20 de março, que considerou “como essenciais as atividades acessórias, de suporte e a disponibilização dos insumos necessários à cadeia produtiva”, entre outros itens, para atendimento à demanda da população.

 

A portaria teve como base relatos de dificuldades enfrentadas em alguns elos da cadeia e reforça que eventuais medidas restritivas adotadas devem resguardar o funcionamento de atividades essenciais à cadeia produtiva de alimentos. A medida especifica 18 itens como produtos, serviços e atividades essenciais.

 

Logística

 

A lista envolve, em sua maioria, a manutenção da logística de transporte como operações de transporte coletivo ou individual de funcionários, que atuem em atividades da cadeia de produção; transporte e entrega de cargas em geral; portos, entrepostos, ferrovias e rodovias, municipais, estaduais e federais para escoamento e distribuição de alimentos, bebidas e insumos agropecuários; além da produção, distribuição e comercialização de combustíveis e derivados; produção e distribuição de alimentos, bebidas e insumos agropecuários com especial atenção ao transporte e comercialização de produtos perecíveis.

 

Também estão definidos como essenciais o funcionamento de postos de gasolina, restaurantes, lojas de conveniência, locais para pouso e higiene, com infraestrutura mínima para caminhoneiros e para o tráfego de caminhões ao longo de estradas e rodovias de todo o país e as atividades de vigilância e inspeção sanitárias e atividades de controle do Estado, de competência da União, estados e municípios, como fiscalização de alimentos de origem animal e vegetal e controle de pragas e doenças.

 

De acordo com a portaria, todas as atividades devem considerar, rigorosamente, as diretrizes de segurança mínima para conter o avanço do Covid-19 apresentadas pelo Ministério da Saúde, bem como as prescrições previstas no Regulamento Sanitário Internacional Anexo ao Decreto nº 10.212, de 30 de janeiro de 2020, definidos na 58ª Assembleia Mundial de Saúde.

 

Fonte: Mapa

Produtores poderão adiar a entrega da comprovação de vacinação de febre aftosa

Por causa da pandemia do novo Coronavírus, a Secretaria de Defesa Agropecuária do  Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) está repassando às Superintendências Federais de Agricultura nos estados e a todos serviços ligados à vigilância agropecuária novas orientações em relação às  etapas de vacinação contra a febre aftosa para o primeiro semestre de 2020. Os proprietários de animais devem manter as etapas de vacinação nos períodos propostos, entretanto não serão exigidas declarações de comprovação da vacinação que impliquem em comparecimento aos escritórios.

 

Em ofício, a Divisão de Febre Aftosa (Difa) do Ministério orienta que a comprovação da vacinação contra a doença  deverá ser realizada, preferencialmente, por meio não presencial (sistemas informatizados, correio eletrônico ou outras soluções à distância). Quando não houver alternativa ao alcance, a comunicação presencial poderá ser postergada para um prazo a ser pactuado entre todas as partes envolvidas com o Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa (PNEFA) no estado ou no Distrito Federal.

 

O Serviço Veterinário Oficial (SVO) de cada estado e as equipes gestoras estaduais do PNEFA irão estabelecer formas de comunicação com todos os interessados sobre a etapa de vacinação contra a febre aftosa (rádio, sindicatos, redes de televisão locais , via site institucional, entre outros) e auxiliar na vacinação de propriedades que tenham dificuldade de executá-la.

 

Confira o calendário de vacinação 2020

 

 

Venda

 

Segundo o ofício, as entidades de  produtores e das revendedoras de vacina contra a febre aftosa deverão se organizar para que a vacina seja, preferencialmente, adquirida junto às revendas agropecuárias por telefone ou outro meio de comunicação à distância disponível. A entrega pela revenda, pelo sindicato rural ou outra forma de entrega, deverá ser feita  diretamente na propriedade rural que a comprou (distribuição por cooperativas, pelo caminhão de leite ou pela mesma logística de distribuição de insumos às propriedades).

 

Quando isso não for possível, a venda direta ao produtor deverá ensejar todas as medidas necessárias para a mitigação da transmissão do COVID-19, tanto por parte dos produtores rurais, quanto por parte das revendas de vacina.

 

Fonte: Mapa

Teleconferência garante cumprimento de cronograma de curso para servidores da Iagro

Parceria com a empresa ‘Qualabor Metrology e Quality’ (especialista em treinamentos nas áreas de Qualidade e Laboratórios) possibilitou a realização de capacitação dos servidores da Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal) das Normas ABNT NBR ISO IEC 17025:2017 e ABNT NBR ISO 19011:2018. Participaram gerentes, chefes de divisão, inspetores regionais, fiscais e agentes fiscais agropecuários (da capital e do interior) de forma a estender a capacitação nos diversos níveis hierárquicos da Agencia.

 

Com a finalidade de manter o cronograma, a capacitação aconteceu por teleconferência por conta da pandemia do novo coronavírus. A opção encontrada foi a utilização da ferramenta ‘webex qe’ que possibilitou interação com o palestrante e o conteúdo apostilado – por chat ou perguntas ao vivo – exercícios práticos e correções em tempo real.

 

Segundo a coordenadora do Sistema de Gestão da Qualidade da agencia, Patricia Maria Ribeiro de Campos Pereira, o conhecimento ofertado é essencial para os profissionais de laboratórios de ensaios das áreas animal e vegetal, credenciados ou em fase de credenciamento, os quais devem, entre outros requisitos, apresentar Sistema de Gestão de Qualidade efetivamente implantado e auditado segundo a Norma ABNT ISO/IEC 17025 em sua versão atualizada para obter o credenciamento e/ou acreditação junto ao MAPA e/ou Inmetro, assim como para demais servidores da defesa sanitária tanto animal como vegetal que precisam de formação específica em auditoria para que possam compor a equipe que realiza auditorias interna na Iagro buscando melhoria de processo ou para atender requisito operacional do Mapa.

 

“O objetivo da Agencia como essa nova experiência é utilizar esta ferramenta para capacitar todos os servidores no assunto, assim como para outras capacitações, de forma a otimizar tempo e recursos financeiros”. Reforçou o Diretor Presidente da Iagro, Daniel Ingold.

Laboratórios do Ministério da Agricultura serão usados para analisar testes do Coronavírus

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) vai disponibilizar a capacidade instalada, infraestrutura e equipes técnicas da rede de laboratórios vinculados para ajudar na análise de testes do Coronavírus.

 

Serão disponibilizados 84 laboratórios das redes da Embrapa, dos Laboratórios Federais de Defesa Agropecuária (LFDAs) e da Comissão Executiva de Planejamento da Lavoura Cacaueira (Ceplac), com 89 equipamentos do tipo RT-PCR em operação e capacidade de análise de mais de 76 mil amostras por dia. Essa é a técnica de referência para detecção do Coronavírus.

 

Os laboratórios da rede do Mapa estão em 42 instalações localizadas em 19 estados e 27 cidades. Os equipamentos deverão ser realocados com base na demanda estratégica do Ministério da Saúde.

 

Também há um total de 108 profissionais qualificados para operar equipamentos e ensaios, que poderão ser alocados conforme a necessidade.

 

“Essa estratégia propõe uma aliança do agronegócio contra o Covid-19 sob a curadoria do Mapa, em parceria com o Ministério da Saúde, que disponibiliza de forma rápida e ordenada alta quantidade e qualidade de recursos materiais, humanos e estruturais para reduzir a evolução da prevalência do Coronavírus no Brasil”, explica a ministra da Agricultura, Tereza Cristina.

 

Segurança

 

Do total de laboratórios, 62 têm nível de biossegurança NB1, que não podem fazer a manipulação de material biológico. Neste caso, os equipamentos podem ser emprestados para outros laboratórios ou eles podem receber as amostras prontas para análise.

 

Outros 18 laboratórios possuem nível de biossegurança NB2, que podem ser cedidos para a rede de saúde para operar os ensaios.

 

Quatro laboratórios têm nível máximo de biossegurança NB3, sendo que três têm condições de operar em nível 4 de segurança biológica, com o uso de escafandro, e dois deles (Campinas-SP e Pedro Leopoldo-MG) têm estrutura robotizada para o preparo das amostras e a realização dos ensaios. Eles podem ser disponibilizados para apoiar a rede de saúde a manusear o vírus ou para atividades que requerem a máxima proteção do operador, e para criação de centrais de preparo de amostras em grade escala.

 

Fonte: Mapa

Coronavírus: Semagro institui comitê de gestão para monitorar demandas do setor produtivo

A Semagro (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar) instituiu, por meio da Resolução Semagro n. 697, de 23 de março de 2020, publicada na edição desta terça-feira (24) do Diário Oficial do Estado (DOE), o Comitê de Gestão para Monitoramento das Ações da Pasta, com o objetivo de auxiliar na orientação ao setor produtivo, além de acompanhar, avaliar e orientar as ações desenvolvidas pela Secretaria no combate e na mitigação dos efeitos da pandemia do coronavírus (Covid-19).

 

O comitê envolve o trabalho dos órgãos vinculados à Semagro (Agraer, Ceasa, Fundect, Fundtur, Iagro, Imasul, Jucems e MS-Mineral) e visa facilitar o atendimento às demandas do setor produtivo e demais usuários da secretaria no período de suspensão dos atendimentos serviços presenciais devido às medidas de prevenção ao Covid-19.

 

“Temos recebido várias demandas do setor empresarial, de toda ordem e estamos criando um canal para tirar dúvidas dos empresários e demais usuários dos nossos serviços nesse período e nosso objetivo é manter a atividade produtiva e o abastecimento da população. Teremos um FAQ empresarial em nosso site (www.semagro.ms.gov.br), no qual o empresário vai se cadastrar e encaminhar sua demanda, seja de como obter crédito no FCO, como ficam suas licenças e autorizações. Os técnicos das superintendências e órgãos vinculados da secretaria vão fazer o atendimento remoto”, informou o secretário Jaime Verruck, da Semagro.

 

O comitê será composto pelo titular da Semagro, o secretário adjunto, Ricardo Senna, superintendentes e diretores-presidentes das autarquias e fundações vinculadas à secretaria.

Aumento da demanda por exportação via Porto Murtinho exige maior agilidade dos portos

O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS), André Dobashi, atendendo demanda conjunta com a Famasul, solicitou ao Superintendente Federal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Estado (SFA/MS), Celso de Souza Martins, maior agilidade na fiscalização do escoamento de grãos nos portos da cidade de Porto Murtinho. A reunião ocorreu no último dia 16.

 

“Porto Murtinho tem potencial para se tornar um grande polo exportador sul-mato-grossense, entretanto, os processos fiscais precisam de melhoria. Para conseguirmos agilidade, avaliamos a necessidade de um fiscal fixo na região, para monitorar entradas e saídas das cargas e melhorar a velocidade do processo. Atualmente a fiscalização ocorre com profissionais de outros municípios, que precisam se deslocar até Porto Murtinho”,afirmou o presidente da Aprosoja/MS.

 

Segundo a associação, os portos da região estão se desenvolvendo de forma eficiente, em operação e infraestrutura. “A curto prazo acreditamos que Porto Murtinho se tornará uma das principais rotas dos grãos produzidos no Centro-Oeste. E para garantirmos esse sucesso, precisamos nos atentar aos processos, desde esta fase de implantação”, finaliza Dobashi, ao justificar a necessidade de um fiscal fixo nos portos.

 

A demanda foi recebida pelo superintendente da SFA/MS. que se colocou à disposição para tratar do tema, indicando que a demanda das entidades reforça pedido já realizado pela SFA, junto ao MAPA para melhorias nos procedimentos de escoamento dos portos instalados em Porto Murtinho.

 

Fonte: Aprosoja

Apanhadores de flores sempre-vivas recebem reconhecimento internacional da FAO

O tradicional sistema agrícola dos apanhadores de sempre-vivas da Serra do Espinhaço (MG) recebeu, na quarta-feira (11), o reconhecimento internacional denominado Sistemas Importantes do Patrimônio Agrícola Mundial (SIPAM) concedido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).

 

O anúncio de reconhecimento do primeiro Patrimônio Agrícola Mundial brasileiro pela FAO ocorreu na sede do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), com a presença da primeira-dama Michelle Bolsonaro, juntamente com a ministra Tereza Cristina e o representante da FAO no Brasil, Rafael Zavala. Esta é a primeira visita de Michelle Bolsonaro ao Mapa.

 

Essa certificação reconhece patrimônios agrícolas desenvolvidos por povos e comunidades tradicionais em diversas partes do mundo.

 

A candidatura do projeto brasileiro foi encabeçada pelo Ministério da Agricultura,  que coordenou, por meio da Secretaria de Agricultura Familiar e Cooperativismo, o encaminhamento do dossiê e do Plano de Conservação Dinâmica do Sistema, em conjunto com o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e a FAO, para que o Sistema de Agricultura Tradicional da Serra do Espinhaço concorresse ao título de Patrimônio Agrícola Mundial, o primeiro dessa categoria conquistado pelo Brasil.

 

Com o reconhecimento das comunidades apanhadores de flores, o sistema de Minas Gerais passará a ser o quarto SIPAM da América Latina e o 59º patrimônio agrícola, envolvendo 22 países. Os outros três latino-americanos são o corredor Cuzco-Puno (Peru); o arquipélago de Chiloé (Chile) e o sistema de Chinampa no México. São sistemas ricos em biodiversidade agrícola e vida selvagem e importantes fontes de conhecimento indígena e culturas ancestrais.

 

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Orgulho

 

O sistema agrícola da Serra do Espinhaço, praticado em seis comunidades nos municípios de Diamantina, Buenópolis e Presidente Kubitscheck formadas por camponesas e quilombolas, engloba a identidade cultural e a prática sociocultural de manejo e coleta das flores sempre-vivas, realizado há séculos naquela região.

 

Integrante dos apanhadores da sempre-vivas, Maria de Fátima Alves fala do sentimento de orgulho e vitória, após anos de luta e persistência pelo reconhecimento do trabalho. “Essa decisão é muito importante, pois vai contribuir para manter o sistema vivo e dar maior força para a continuidade do trabalho”, avalia Tatinha como é conhecida. Ela faz parte da Comissão em Defesa dos Direitos das Comunidades Extrativistas – Apanhadoras de Flores Sempre-vivas (Codecex), que acaba de completar 10 anos de atuação.

 

Filha de pais de comunidades quilombolas, ela é um exemplo de que, de geração em geração, integrantes dessas comunidades transmitem seus conhecimentos no manejo das plantas e das atividades agrícolas, pastoris e extrativistas, cumprindo um importante papel de guardiãs da natureza. Ao mesmo tempo, garantem a autonomia alimentar por meio da produção agrícola de alimentos, como plantio de hortaliças, mandioca, arroz, entre outras culturas, e a criação de animais, com o pastoreio de gado curraleiro.

 

É um conjunto de práticas de convivência harmônica com o ambiente, mediante a preservação das tradições típicas da identidade cultural dessas comunidades, características que possibilitaram propor a candidatura do sistema mineiro à FAO. Com o reconhecimento, há agora, segundo Tatinha, as ações do plano de conservação a serem desenvolvidas, o que irá contribuir para dar sustentação à continuidade do trabalho de preservação, transmissão dos conhecimentos e acesso a novos mercados.

 

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Biodiversidade

 

As seis comunidades que tiveram seus sistemas agrícolas reconhecidas pela FAO são Lavras, Pé-de-Serra, Macacos e as comunidades quilombolas de Raiz, Mata dos Crioulos e Vargem do Inhaí – estão numa área de aproximadamente 100 mil hectares e chegam a manejar mais de 400 espécies de plantas já catalogadas, incluindo as alimentares e as medicinais, cujos conhecimentos e práticas únicas são desenvolvidas ao longo de gerações para manter os recursos genéticos e melhorar a agrobiodiversidade.

 

Em relação às sempre-vivas – termo popularizado em virtude das características das flores, que depois de colhidas e secas, conservam sua forma e coloração – há cerca de 90 espécies manejadas de flores, com diversos formatos e cores.

 

No período de abril a outubro, apanhadores e suas famílias sobem a serra para a coleta, em áreas de campos rupestres do Cerrado, conhecida como Savana brasileira, que ocorrem a 1,4 mil metros de altitude. É nesses campos na Serra do Espinhaço que se encontram 80% das espécies de flores sempre-vivas no Brasil, de acordo com dados do dossiê enviado à FAO.

 

Os apanhadores permanecem por lá durante semanas. Para eles, é um momento de encontro entre as comunidades, promovendo a socialização. Além das flores são também coletados diversos tipos de folhas, frutos secos dentre outros produtos ornamentais, a depender da época do ano.

 

Comunidades guardiãs

 

Essas comunidades são consideradas guardiãs da biodiversidade, tanto de sementes agrícolas como de conhecimentos tradicionais associados às espécies silvestres conhecidas como sempre-vivas e, ainda, de outras plantas importantes na dieta e na medicina tradicional quilombola. Ainda hoje preservam modo de vida tradicional de seus descendentes. São cerca de 1,5 mil pessoas, descendentes de indígenas, europeus e africanos que viveram no Brasil colonial.

 

A peculiaridade da região é uma combinação de atividades agrícolas, de pastoreio e extrativismo que formam um sistema de manejo dinâmico da paisagem. Conhecimentos continuam sendo transmitidos entre gerações; as sementes são trocadas e o seu compartilhamento é conduzido pelas comunidades, contribuindo assim para conservar o recurso genético vegetal.

 

O manejo é baseado no conhecimento tradicional, estritamente relacionado aos ciclos naturais das espécies e à intensidade de coleta, a fim de garantir a renovação e manutenção de cada espécie.

 

De acordo com Codecex, a venda das flores é a principal fonte de geração de renda para as famílias, sendo que algumas delas, dos municípios de Presidente Kubitschek e Diamantina, já comercializam para os Programas de Compras Públicas (Programa Nacional de Alimentação Escolar –PNAE e o Programa de Aquisição de Alimentos – PAA).

 

Do total produzido, as exportações ultrapassam 80% das espécies ornamentais comercializadas (flores, botões, ramagens, frutos secos), sendo que 55% destas são as sempre-vivas ou margaridinhas.

 

Os principais importadores são os Estados Unidos, Países Baixos, Espanha e Itália (absorvem quase 90% das exportações). No Brasil, o destino comercial das flores é, principalmente, São Paulo, seguido por Minas Gerais, Paraná, Distrito federal e Ceará, segundo a comissão.

 

Além das flores e outras espécies ornamentais, a renda é proveniente também do artesanato, comercialização de leite e queijo, produtos da agroindústria caseira (farinha de mandioca, de milho, rapadura, frutas e hortaliças (pequenas quantidades). A maioria da produção é para consumo das famílias.

 

Atualmente, em 15 municípios há comunidades apanhadores de flores na Serra do espinhaço Meridional. A Codecex atua diretamente em oito e há demanda de mais quatro municípios.

 

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Sistemas agrícolas ancestrais

 

Criado em 2002 pela FAO, o SIPAM (Globally Important Agricultural Heritage System – GIAHS, sigla em inglês) combina biodiversidade agrícola, ecossistemas resilientes e um patrimônio cultural valioso. São sistemas agrícolas ancestrais que constituem a base para inovações e tecnologias agrícolas contemporâneas e futuras. Sua diversidade cultural, ecológica e agrícola ainda é evidente em muitas partes do mundo, mantida como sistemas únicos de agricultura.

 

Para que o Sistema de Agricultura Tradicional da Serra do Espinhaço concorresse ao reconhecimento, ainda em 2018, as comunidades se organizaram e, com o apoio da Comissão em Defesa dos Direitos das Comunidades Extrativistas (Codecex), prepararam o dossiê de candidatura com o apoio de universidades parceiras.

 

Além disso, elaboraram o Plano de Conservação Dinâmica do Sistema Agrícola, em parceria com secretarias do governo de Minas Gerais e instituições públicas do estado como o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha) e a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater), além das prefeituras de Diamantina, Presidente Kubitschek e Buenópolis. Estão previstas ações como de pesquisa e inovação, elaboração de maro legal e de políticas públicas.

 

O sistema brasileiro foi avaliado pelo comitê científico da FAO, passando por várias etapas seletivas que incluíram a análise do dossiê com dados históricos e a visita in loco dos especialistas das Nações Unidas.

 

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Fonte: Mapa

Mapa desenvolve programa para estimular a área de florestas plantadas no território nacional

Responsável pela oferta de matéria-prima para diversas indústrias, as florestas plantadas já respondem por 90% de toda a madeira produzida para fins industriais no país. O tamanho da área cultivada hoje chega a 10 milhões de hectares em todo o Brasil, dominada por pés de eucaliptos, pinus, além de acácias e outras variedades, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 

Com base na importância econômica e as potencialidades dessa atividade para o país, está em execução o Plano Nacional de Desenvolvimento das Florestas Plantadas (Plantar Florestas), oficializado no ano passado e resultado de uma ação conjunta entre as principais lideranças do setor e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

 

“O Brasil tem um grande potencial para expansão da nossa base florestal plantada e sem a necessidade de abertura de novas áreas”, avalia João Salomão, coordenador-geral de Florestas Plantadas e Pecuária do Mapa. Na semana em comemoração ao Dia Internacional das Florestas, celebrado em 21 de março, Salomão observa que o tamanho da área pode aumentar à medida em que se avança o trabalho de recuperação de áreas de pastagens degradadas.

 

Sustentabilidade

 

A meta do plano é ampliar a área de florestas plantadas no território nacional em 2 milhões de hectares até 2030, o equivalente a 20% sobre a área atual. Um número ambicioso, reconhece o coordenador, mas os caminhos para atingir esse objetivo estão sendo implantados. Foram definidos 12 objetivos nacionais e 72 ações indicativas. Vale destacar a participação, neste plano, da Câmara Setorial de Florestas Plantadas – coordenada pelo Ministério – nascida a partir da importância que o segmento tem para a cadeia produtiva do agronegócio bem como para preservação da biodiversidade.

 

Com esse segmento fortalecido, ressalta, a pressão sobre as florestas primárias (nativas) vai diminuir, contribuindo para a conservação do meio ambiente. Os números do crédito rural revelam que, no ano passado, foram investidos R$ 825 milhões, recursos suficientes para o plantio de 77,5 mil hectares ou 115 milhões de árvores.

 

 

As empresas florestais brasileiras preservam 5,6 milhões de hectares de florestas primárias, ou seja, para cada hectare plantado, 0,6 é preservado, mais do que as exigências legais. A produção primária florestal (silvicultura somada ao extrativismo), relativa a 2018, foi calculada em R$ 20,6 bilhões, de acordo com o IBGE. Deste total, as florestas plantadas responderam por 77%. Desde o ano 2001, o valor da produção alcançado pela soma dos produtos das florestas plantadas vem superando a extração vegetal.

 

Outro ponto positivo é que os dez municípios com maior área de florestas plantadas têm aumentado o índice de desenvolvimento humano (IDH) em ritmo superior ao crescimento dos seus estados. Esse índice reflete melhores condições de vida para os cidadãos dos municípios, revela levantamento do IBGE.

 

Segundo a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), o setor de florestas plantadas para fins industriais alcançou uma receita total de R$ 86,6 bilhões, em 2018, o que representa um crescimento de 13,1% em relação ao ano anterior.

 

Outro dado que reforça a importância econômica do segmento é a participação de quase 7% no Produto Interno Bruto (PIB) industrial deste mesmo período. Entre os produtos que compõem o setor estão pisos, painéis de madeira, papel, celulose, madeira serrada e carvão vegetal.

 

Dados de 2019 mostram que o segmento foi o terceiro do setor do agronegócio em exportações, registrando valor recorde de US$ 13 bilhões, atrás apenas do complexo soja (US$ 33 bilhões) e de carnes (US$ 17 bilhões).

 

A atuação da Embrapa Florestas e a vinda, em 2019, do Serviço Florestal Brasileiro (SFB) para a estrutura do Mapa são exemplos da relevância do tema para a pasta. Com o SFB vieram, também, o inventário florestal nacional e o sistema de informações florestais, além de profissionais com larga experiência no setor florestal.

 

Integração

 

A implantação dos sistemas integrados é uma iniciativa que contribui para amplificar a presença de florestas plantadas. São a base dos programas de Integração Pecuária Floresta (IPF) e Integração Lavoura Pecuária Floresta (ILPF) desenvolvidos pelo Ministério da Agricultura. Além de promover a recuperação de áreas de pastagens degradadas, são estratégias que agregam diferentes sistemas produtivos, como os de grãos, fibras, carne, leite e agroenergia. A integração também reduz o uso de agroquímicos, a abertura de novas áreas para fins agropecuários e o passivo ambiental.

 

A diretora do Departamento de Produção Sustentável e Irrigação do Mapa, Mariane Crespolini, destaca que o programa de florestas plantadas integra o Plano de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Plano ABC), que completa dez anos e passará por uma revisão ao longo de 2020. Técnicos do Mapa e representantes de entidades ligadas ao tema vão elaborar as novas metas para o decênio 2020-2030.

 

Nesse cenário, o programa de florestas plantadas será discutido no contexto de sistemas integrados de produção, onde, por exemplo, pelo componente florestal há melhora nos indicadores zootécnicos da bovinocultura de leite.

 

Outra oportunidade para desenvolver o mercado, e já em discussão na câmara setorial, é o crescente interesse em energia renovável e a necessidade do Brasil de gerar mais energia.

 

O Brasil, de acordo com Mariane Crespolini, tem a vantagem de já ter resultados expressivos de mitigação de carbono para o agronegócio, no âmbito do Plano ABC. Uma política que tem sido trabalhada há mais de uma década, colocando o Brasil a frente de outros países neste assunto.

 

No período de 2010 a 2018, dados do Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento (Lapig), da Universidade Federal de Goiás (UFG), indicam que 32 milhões de hectares de pastagem melhoraram a qualidade, o que representa quase 20% da área de pastagem no Brasil.

 

Desse total, o Lapig estima que 10 milhões foram de pastagem com altíssimo grau de degradação e hoje estão recuperadas. No mesmo período, houve um crescimento de quase seis milhões de hectares de áreas com sistemas de produção integrada. Outros programas, como fixação biológica de nitrogênio, tratamento de dejetos e plantio direto também apresentaram crescimento no período.

 

A diretora lembra que, em novembro do ano passado, a ministra Tereza Cristina assinou um memorando de entendimento com a organização não governamental Climate Bonds Initiative (CBI), com o objetivo de desenvolver o mercado de títulos verdes no Brasil. Uma equipe da Secretaria de Política Agrícola, do Ministério, em conjunto com representantes de outras áreas do governo federal, iniciativa privada e representantes da sociedade civil estão trabalhando na elaboração de um plano para a captação desses recursos no mercado internacional e que representa um estímulo ao mercado agropecuário no país, especialmente para as tecnologias que mitigam carbono.

 

Fonte: Mapa