Verdades e mitos sobre as instruções normativas para garantir qualidade do leite

Com a proximidade da entrada em vigor do novo regramento do leite brasileiro, por meio das instruções normativas (INs) 76 e 77 de 2018, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) vem esclarecer sobre as verdades e os mitos para que os setores envolvidos (produtor, indústria, consumidor, inspeção) possam entender o papel de cada um na melhoria da qualidade do leite no país. A nova legislação passa a valer a partir de 30 de maio.

 

VERDADE

 

“A implantação da nova legislação vai aumentar as exportações de leite”

 

A atualização da legislação tem como foco fornecer ferramentas aos setores envolvidos para ter leite com qualidade no país. Apesar de não ser o principal objetivo da normativa, com a qualificação, os produtos lácteos brasileiros poderão alcançar o mercado internacional, proporcionando aumento da renda do produtor e da indústria.

 

“Quando o leite tem qualidade não necessita ser fraudado”

 

As fraudes detectadas nas operações realizadas pelo Mapa estavam relacionadas com a baixa qualidade da matéria prima, que necessitava ser adulterada para ser comercializada de forma irregular. A partir da implantação das novas normas, com a participação de todos os elos da cadeia produtiva, o risco de fraudes no leite irá diminuir.

 

MITO

 

“Com a entrada em vigor das novas regras haverá exclusão de produtores, principalmente dos pequenos”

 

Os padrões de contagens bacteriana e de células somáticas no leite de produtores não foram alterados, estando vigentes desde 2014. Com as novas normas, o objetivo é incluir no processo o produtor cujo leite, até então, não atendia aos padrões de qualidade da legislação. A interrupção da coleta de leite só acontecerá após a terceira média geométrica de contagem bacteriana acima dos padrões legais, ou seja, apenas a partir de outubro de 2019, 5 meses após a entrada em vigor desta norma e 17 anos após a entrada em vigor da IN nº 51/2002, que já estabelecia os parâmetros de qualidade. Para que a coleta seja restabelecida, será necessária uma única contagem bacteriana dentro dos padrões.

 

“O limite de 900.000 UFC/ml para contagem bacteriana nos silos das indústrias é difícil de ser atendido, não condiz com nossa realidade e os valores devem ser monitorados por dois anos antes de entrar em vigor”

 

O limite de 900.000 UFC/ml para contagem bacteriana nos silos das indústrias tem como base a qualidade do leite na propriedade. O estabelecimento deste limite evita que todo o trabalho de qualidade aplicado pelo produtor rural seja perdido durante o recolhimento, transporte e armazenamento de leite na indústria. As contagens atuais não atendem ao padrão de 900.000 UFC/ml, pois o leite de produtores com contagens acima de 300.000 UFC/ml ainda é recolhido, apesar de estar em desacordo com a legislação desde 2014. As ações de fiscalização de contagem bacteriana dos silos somente serão realizadas pelo Mapa a partir de novembro de 2019, considerando que o limite legal de contagem bacteriana nas propriedades poderá ser atingido em outubro. As indústrias terão mais de cinco meses para realizar seu diagnóstico e as ações corretivas. Muitas empresas já vêm realizando procedimentos de correção desde a publicação da norma em 2018.

 

“Em lugar de medidas de fiscalização, as normativas deveriam prever medidas educativas e a implantação das melhorias através dos autocontroles das empresas”

 

Desde a implantação da IN nº 51/2002, o Mapa vem trabalhando a melhoria da qualidade do leite de forma educativa. No entanto, foi constatado que algumas empresas e produtores buscaram melhorar e outras continuaram com o recolhimento e produção de má qualidade. Quem investe em qualidade, seja produtor ou indústria, concorre de igual para igual com produtores e indústrias que não têm esse cuidado, o que não é justo. Além disso, o consumidor sai prejudicado e sente os efeitos da má qualidade no leite UHT, que apresenta problemas dentro do prazo de validade, e no gosto amargo dos queijos.

 

“A interrupção da coleta fomentará a migração de produtores de leite para o mercado informal”

 

As principais causas de abandono da produção de leite são a sucessão rural e o baixo volume de produção, o que torna o produtor pouco competitivo. Um dos principais objetivos da obrigatoriedade de implantação dos planos de qualificação é capacitar o produtor em ferramentas gerenciais que tornem a propriedade organizada e lucrativa, profissionalizando e tornando atraente a produção leiteira para os filhos e netos de produtores.

 

“O produtor que não se adequar às novas normas será multado pelo Mapa”


A normativa prevê a interrupção da coleta do leite, com rápido retorno da entrega para a indústria assim que a contagem bacteriana for corrigida. Não há previsão legal para autuação e multa para produtores que não atendam ao padrão legal.

 

“O leite do silo que não atender ao padrão de contagem bacteriana terá que ser descartado pela indústria”


A análise do leite no silo tem como objetivo avaliar o processo de captação e transporte do leite até o laticínio. Resultados elevados devem ensejar correção deste processo, mas não há previsão legal nas normativas que impeçam o leite de silo que ultrapassar o limite de contagem bacteriana de ser utilizado. A empresa deverá trabalhar, através de planos de ação, a melhoria da qualidade do leite.

 

 

Fonte: MAPA

Na Indonésia, ministra Tereza Cristina negociou abertura de mercado para carnes brasileiras

Na última etapa da missão à Ásia, a ministra Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) reuniu-se ontem (20) com o ministro da Agricultura da Indonésia, Amran Sulaiman, para discutir a abertura do mercado de carnes brasileiras para o país asiático.

 

Durante o encontro, a ministra pediu uma resposta sobre missão técnica que visitou frigoríficos de diversos estados brasileiros em abril de 2018. Tereza Cristina destacou que o Brasil tem condições de suprir a demanda por proteína animal dos indonésios, principalmente de carne bovina, sendo um fornecedor alternativo e com preços mais baratos em relação à carne da Austrália, de onde vem a maior parte da carne consumida no país.

 

“É um país que tem 270 milhões de pessoas. Se você somar o Vietnã e Indonésia, teremos um mercado de quase 300 milhões de pessoas que podem consumir vários produtos do agro brasileiro”, disse Tereza Cristina.

 

Frutas especiais e óleo de palma

 

Já o ministro Sulaiman pediu a redução das tarifas para óleo de palmaimportado pelo Brasil.

 

O Brasil cobra 20% na importação do óleo de palma. Já os indonésios querem 2,5%, o mesmo percentual aplicado à soja. Eles argumentam que compram soja brasileira em grande quantidade, são os únicos exportadores de óleo de palma para o Brasil e o ajuste nas tarifas irá beneficiar os pequenos produtores indonésios. De acordo com Tereza Cristina, o governo está avaliando as tarifas de importação e irá analisar o pedido do país.

 

Segundo ministro, eles querem ampliar a pauta de exportações, com a venda de frutas especiais: o mangostim e fruta da serpente.

 

 

Já em encontro com a Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Indonésia (Kadin), empresários se ofereceram para destravar a importação de carne halal (que segue princípios islâmicos na produção e no abate).

 

Tabela Brasil-Indonésia

 

Cooperação

 

Os indonésios – tanto o ministro da Agricultura quanto empresários – mencionaram interesse em projetos de cooperação em setores da agropecuária, como genética pecuária.

 

A ministra afirmou que a Embrapa poderá ajudar na formulação dos projetos.

 

Celulose

 

O último compromisso da comitiva brasileira foi um jantar de trabalho oferecido por empresários indonésios com negócios no Brasil e pelo Comitê Brasil da Kadin, presidido por Anderson Tanoto.

 

Presidente mundial do Grupo RGE (Royal Golden Eagle), conglomerado indonésio na área de celulose, Tanoto confirmou instalação de unidades da empresa no interior de São Paulo. O grupo já tem operações na Bahia por meio da Bracell.

 

Sul-mato-grossense, Tereza Cristina reafirmou que os investimentos no setor de celulose permitiram o desenvolvimento de áreas pobres de Mato Grosso do Sul, com geração de empregos e qualidade de vida.

 

Fonte: MAPA

Expoagro derruba mitos e realiza palestra sobre criação de abelhas próximo à lavoura de soja

Sempre preocupado em debater temas atuais de interesse dos produtores rurais, o Sindicato Rural de Dourados promoveu na quarta-feira (15) em parceria com a Aprosoja-MS (Associação dos Produtores de Soja do MS) a palestra “Abelhas e Soja: Mitos e Verdades”. O tema foi debatido pelo pesquisador da Embrapa Soja, Décio Luiz Gazzoni, que explicou aos participantes como esta combinação entre criação e lavoura pode funcionar em harmonia. Promovida pelo Sindicato Rural de Dourados, a 55ª Expoagro foi encerrada ontem (19) no Parque de Exposições João Humberto de Carvalho.

 

 

O presidente do Sindicato Rural, Lúcio Damália, ressaltou durante o evento que, apesar de a soja ser uma planta que não precisa da colaboração das abelhas para ter polinização, o inseto pode ser um aliado do produtor.  “A abelha pode ser benéfica e pode aumentar em até 5% a produtividade da soja, segundo estudos”, ressaltou. Muitas pesquisas na área desenvolvidas no Brasil e no exterior têm mostrado que as lavouras de soja que recebem essa interferência das abelhas têm resultados superiores a áreas que não convivem com a criação dos insetos polinizadores.

 

Luis Renato Peixoto Cavalheiro é engenheiro agrônomo, produz soja e cria abelhas. Ele conta que sempre gostou das duas atividades e se surpreendeu com os resultados positivos – tanto na soja como também na apicultura. Em algumas caixas da criação, o apicultor conta que já conseguiu produzir mais de 50 quilos de mel, uma média considerada alta. “Se as abelhas conseguem fazer o trabalho de polinização na lavoura, você consegue produzir muito mais soja naquela faixa próximo à criação. Você vê um número maior de vagens, grãos bem formados com maior peso”, reforça o produtor.

 

O tema é polêmico e controverso, pois já foram registrados prejuízos nas duas pontas, porém o pesquisador Décio Gazzoni explica que as duas atividades podem coexistir sem que haja perdas para nenhuma das partes. Para tal resultado, segundo ele, é necessário o uso de tecnologia e a busca de informação – mas ele ressalta que é preciso também uma mudança de atitude. “As tecnologias estão desenvolvidas; agora, é fundamental que haja comunicação entre as partes e boas práticas agrícolas, tanto na apicultura quanto na agricultura. Novas tecnologias eventualmente podem ser incorporadas, mas com o que temos hoje é perfeitamente possível a convivência entre as partes”, enfatiza o pesquisador.

 

Durante a 55ª Expoagro, foram programadas mais de 80 palestras.

Mais de 450 pessoas participam do 3º Fórum de Desenvolvimento da Suinocultura de MS

O desenvolvimento da suinocultura e o empreendedorismo do agro em Mato Grosso do Sul, foram os temas destacados pelo vice-presidente do Sistema Famasul – Federação da Agricultura e Pecuária de MS, Luís Alberto Moraes Novaes, durante a cerimônia de abertura do 3º Fórum de Suinocultura de MS, realizado nessa sexta-feira (17), na programação da Expoagro 2019.

 

O encontro, promovido pela Asumas – Associação de Suinocultores Sul-mato-grossenses, em parceria com o Sistema Famasul, contou com a presença de mais de 450 pessoas. “Mato Grosso do Sul é o 7º maior produtor do Brasil e em um ano, a produção cresceu 18%, mostrando o potencial produtivo dessa cadeia produtiva”.

 

Em seguida Novaes deu ênfase aos resultados do Granja Plus, programa de Assistência Técnica e Gerencial do Senar/MS. “A iniciativa que cria um bom ambiente de produção para os suinocultores do estado atende, no estado, 107 produtores, sendo que 48 estão na Grande Dourados”.

 

O anfitrião da iniciativa, presidente da Asumas, Alessandro Boigues, agradeceu a participação dos produtores e da importância do compartilhamento de conhecimento. “Tem muitas pessoas olhando para o nosso setor que precisa se fortalecer e para isso a união entre as instituições é fundamental”.

 

Em seu discurso, o deputado federal, presidente da Frente Parlamentar da Suinocultura, José Carlos Schiavinato, afirmou: “Precisamos fortalecer o produtor rural. A missão fantástica do produtor rural é cuidar da sua propriedade por inteiro”.

 

O presidente do Sindicato Rural de Dourados, Lúcio Damália, destacou a importância da iniciativa para o desenvolvimento dos produtores. “A iniciativa traz uma série de excelentes palestras”.

 

O deputado estadual de Santa Catarina e também presidente da Frente Parlamentar de Suinocultura do estado, Altair Santos, acrescentou em seu discurso, a importância da cadeia produtiva. “O Brasil já tem três plantas habilitadas para exportar para China e 78 por habilitar. Isso é uma grande oportunidade!”.

 

O deputado estadual, Renato Câmara, falou do desenvolvimento do agro e dos desafios do setor. “Da porteira para dentro, nós somos bons”. O superintendente da Semagro, Rogério Beretta, acrescentou:“ A casa cheia é o retrato da nossa suinocultura e do trabalho profissional que a Asumas faz”.

 

Granja Plus – A analista técnica do Sistema Famasul, Fernanda Oliveira, apresentou as potencialidades da suinocultura e a importância da gestão nas propriedades rurais. Durante sua palestra, ela mostrou cases de produtores rurais que tiveram suas vidas transformadas após o Granja Plus. “A iniciativa começou visitando os produtores, para conhecer as reais necessidades do produtor. O que verificamos é que são medidas relativamente simples e que fazem toda a diferença nas propriedades e isso é muito motivador. É uma verdadeira transformação do meio rural”.

 

A iniciativa, segundo explicou Fernanda, começa com a consultoria, avaliação das melhorias. “O objetivo é a melhoria contínua das granjas de aves e suínos e no auxílio à legislação e na gestão do empreendimento”.

 

O evento contou com a presença do diretor-tesoureiro do Sistema Famasul, Marcelo Bertoni; do superintendente do Senar/MS, Lucas Galvan; do presidente do Sindicato Rural de Itapoã, Otávio Vieira de Mello; o presidente da Avimasul, Adroaldo Hoffmann e o diretor-presidente da Iagro, Luciano Chiochetta.

 

Primeiro-ministro do Vietnã oferece país como porta para produtos brasileiros na Ásia

Na terceira etapa da missão à Ásia, a ministra Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) reuniu-se ontem (17) com o primeiro-ministro do Vietnã,  Nguyen Xuân Phúc.

 

Na sede do governo vietnamita, em Hanói, os dois trataram da abertura de mercado para determinados produtos. Brasil quer vender melão e bovinos vivos para o Vietnã. E os vietnamitas desejam exportar camarão e peixes.

 

A ministra informou que as tratativas estão em processo final e a abertura para comércio desses produtos pode ser anunciada em 30 dias. “As duas coisas estão absolutamente andando na mesma velocidade para que a gente possa abrir esse mercado”, ressaltou.

 

O primeiro-ministro propôs que o Vietnã sirva como porta de entrada para os produtos agropecuários do Brasil e do Mercosul no continente asiático. A proposta foi bem recebida por Tereza Cristina.

 

“Nessa troca de visitas entre delegações brasileiras e vietnamitas, podemos colocar como um dos temas a atração de investidores brasileiros para fazer como se fosse um hub de entrada de produtos para atingir esse mercado asiático”, destacou a ministra.

 

Sobre as trocas comerciais, Xuân Phúc destacou a necessidade de equilibrar a balança agrícola. Em 2018, o saldo entre Brasil e Vietnã somou US$ 1,4 bilhão. Atualmente, as exportações do Brasil superam as importações.

 

Com aproximadamente 100 milhões de habitantes, o Vietnã tem apresentado crescimento econômico de 6,5% a 7% ao ano. “Temos uma pauta comercial extensa. Vietnã hoje é um grande parceiro comercial do Brasil. Quando a gente trata de comércio, a gente não trata de ideologia. […] É um dos principais mercados que queremos atingir de forma mais efetiva”, disse a ministra em vídeo sobre a viagem.

 

 

Fonte: MAPA

Depois de reunião em Pequim, Brasil espera habilitação de 78 frigoríficos

Após reunião da ministra Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e o administrador-geral de Aduanas da China, Ni Yuefeng, o Brasil tem expectativa de 78 frigoríficos receberem autorização para exportar ao mercado chinês.

 

Na reunião desta quinta-feira (16), em Pequim, ficou fechado que, dentro de uma semana, a equipe do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento irá encaminhar às autoridades chinesas informações finais sobre os estabelecimentos (carnes bovina, suína e de aves), já que os formulários preenchidos pelas empresas estão sendo revisados pelo Mapa.

 

“Estamos preparados para ampliar a nossa oferta de proteína animal com qualidade ao mercado chinês sem deixar de cumprir os requisitos sanitários previstos no nosso protocolo bilateral”, disse a ministra.

 

Habilitação contínua

 

Os dois países também irão estudar processo contínuo de habilitação das empresas, principalmente do setor de carnes. A delegação chinesa pediu agilidade na resolução de pendências dos registros para exportação de pescados e pera. Em troca, o Brasil quer vender melão.

 

“Quero aumentar substancialmente a confiança mútua nos nossos respectivos sistemas sanitários de inspeção e de quarentena para que novas habilitações de estabelecimentos ocorram de maneira célere e simplificada no futuro”, afirmou Tereza Cristina.

 

Ni Yuefeng informou que, no segundo semestre, um comissário virá ao Brasil para trabalhar constantemente com o governo federal e empresas nas questões sanitárias e de quarentena. O comissário ficará na embaixada chinesa para facilitar o diálogo com a equipe do ministério.

 

Em visita em 2018, técnicos chineses vistoriaram 11 frigoríficos – um foi reprovado e dez tiveram de fornecer informações adicionais. Para o encontro em Pequim, solicitaram ao Brasil a lista dos estabelecimentos autorizados a vender para a União Europeia, que totalizam 33.

 

Além dessa lista, a comitiva brasileira levou dados sobre estabelecimentos inspecionados, mas que não são habilitados para a União Europeia; lista de produtores de suínos habilitados para outros mercados exigentes como Estados Unidos e Japão e produtores de bovinos, aves e asininos habilitados para outros mercados exigentes, com exceção da União Europeia.

 

“Seria muito importante que caminhássemos com muitas habilitações, não só das proteínas animais, mas também outros assuntos sobre farelos, leite e frutas. Gostaria que essa parceria fosse constante e também os assuntos do governo chinês, como peixe e frutas. Todos os assuntos bilaterais que temos em andamento”, disse a ministra.

 

Exportadores de carnes

 

O vice-presidente e diretor de mercados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, disse que a meta é buscar o processo contínuo de habilitação dos frigoríficos. “Celebrar a vitória de construir um método. Não adianta selecionar só alguns”, afirmou Santin, que integra a comitiva brasileira na China.

 

O presidente da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), Péricles Salazar, avaliou que as negociações foram conduzidas com “maestria” pela ministra. Ele sugeriu maior interação entre o ministério e o setor para o preenchimento dos formulários a serem enviados ao governo chinês.

 

Para a ministra, a reunião com o chefe da Aduana foi um sucesso. “Saio satisfeita com o encaminhamento. Se fecharmos datas, prazos e metodologia, será mais fácil para nós e para eles”, destacou.

 

FAO

 

Tereza Cristina reiterou apoio do Brasil ao vice-ministro da Agricultura do país, Qu Dongyu, candidato para o comando da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). “O Brasil vai anunciar seu voto para o candidato da China à presidência da FAO”, destacou.

 

A eleição deve ocorrer durante conferência da organização, em Roma, em junho.

 

 

Fonte: MAPA

No quadrimestre deste ano, exportações do agronegócios somam US$ 30,42 bilhões

Nos quatro primeiros meses deste ano, as exportações do agronegócio somam US$ 30,42 bilhões, em alta de 0,2% em relação aos US$ 30,35 bilhões exportados no mesmo período de 2018. A oscilação positiva ocorreu em função da elevação do índice de quantum das exportações, que subiu 5,9%, enquanto o índice de preço cedeu 5,4%.

 

Os preços das commodities agropecuárias, conforme dados divulgados pelo Banco Mundial, subiram 0,82% neste ano, entre dezembro e abril. A soja em grão que tem peso de 4% no índice do banco e que representou 31,2% do valor total exportado em produtos do agronegócio nesses quatro primeiros meses do ano, teve a cotação no mercado mundial em queda de US$ 380,53 por tonelada para US$ 360,34, no período.

 

Nas importações, houve queda de US$ 4,91 bilhões, entre janeiro e abril, para US$ 4,79 bilhões (-2,5%). Houve também queda no índice de preço dos produtos importados, de 1,8%, e de 0,7%, no índice de quantum das importações. O principal produto importado pelo Brasil, o trigo, apresentou queda na cotação internacional.

 

Soja representa 37,9%

 

Os cinco principais setores exportadores no primeiro quadrimestre do ano foram: complexo soja (37,9%); produtos florestais (15,8%); carnes (15,3%); café (5,7%); cereais, farinhas e preparações (5,1%).

 

Esses setores foram responsáveis por 79,8% do valor total exportado em produtos do agro nesses quatro meses. No mesmo período do ano passado, esses setores responderam por 77,2% do valor total exportado. O complexo sucroalcooleiro deixou o rol dos cinco principais setores exportadores neste ano.

 

Complexo soja continua sendo o principal segmento das exportações. As vendas externas desses produtos foram de US$ 11,52 bilhões, em queda de 0,6% em relação aos US$ 11,59 bilhões exportados no mesmo período de 2018.

 

As exportações de soja em grãos foram recordes, com US$ 9,50 bilhões (+2,9%), e elevação da quantidade exportada de 23,5 milhões de toneladas para 26,32 milhões de toneladas (+12,0%), que também se configurou numa quantidade recorde de embarque de soja em grão.

 

O incremento do valor exportado de soja em grão não foi maior em função da queda de 8,1% no preço médio de exportação do grão. O recorde de preço da soja em grão em primeiro quadrimestre ocorreu em 2013, quando o preço médio foi de US$ 534,3 por tonelada. Já as exportações de farelo de soja e óleo de soja tiveram queda, -7,2% e -53,5%, respectivamente.

 

O segundo principal segmento exportador foi o de produtos florestais. As vendas externas se elevaram de US$ 4,64 bilhões entre janeiro e abril de 2018 para US$ 4,82 bilhões no mesmo período neste ano (+3,7%). O principal produto exportado é a celulose, com US$ 3,01 bilhões (+8,5%), cifra recorde da série histórica.

 

Celulose registra recorde

 

Houve incremento das exportações de celulose tanto em quantidade (+2,6%), que foi recorde da série (1997-2019), quanto no preço médio de exportação (+5,8%), que também foi recorde da série (1997-2019). As exportações de madeiras e suas obras caíram 4,2%, atingindo US$ 1,15 bilhão, enquanto as exportações de papel tiveram redução de 1,8%, chegando a US$ 653 milhões em vendas externas.

 

As carnes também tiveram desempenho positivo no quadrimestre, registrando US$ 4,64 bilhões em alta de 3%. A principal carne exportada foi a de frango. Foram vendidas ao exterior US$ 2,08 bilhões com expansão na quantidade (+0,6%) e no preço médio (+4,2%). As exportações de carne bovina foram de US$ 2,01 bilhões (+3,2%). O volume exportado foi o segundo melhor da série histórica, com 537,9 mil toneladas (+11,7). Somente em 2007 o Brasil exportou quantidade maior no primeiro quadrimestre, quando chegaram a 562,8 mil toneladas. A queda internacional do preço (-7,6%) impediu incremento maior do valor exportado.

 

As vendas externas de carne suína foram de US$ 414,12 milhões (+3,8%) enquanto a de peru teve desempenho negativo (-56,4%), com US$ 20,48 milhões em exportações. Trata-se do pior valor exportado neste século, no período em análise, para as exportações de carne de peru.

 

As exportações de café foram de US$ 1,75 bilhão entre janeiro e abril (+7,2%). A quantidade de café verde foi recorde nos quatro meses. Foram 722,5 mil toneladas vendidas (+32,2%). A queda do preço médio para US$ 2.160 por tonelada (-17,4%) impediu aumento mais expressivo do valor exportado. O preço médio do café verde já esteve em US$ 4.414 por tonelada em 2012, um recorde da série histórica (1997 a 2019) para o período.

 

As vendas externas de café solúvel caíram para US$ 170 milhões (-1,7%), mesmo com o volume recorde exportado para o primeiro quadrimestre, com 27,5 mil toneladas (+14,9%). A queda foi de 14,5% no preço médio.

 

O quinto maior segmento, o de cereais, farinhas e preparações teve crescimento expressivo em relação ao mesmo período de 2018 (+43,7), atingindo US$ 1,55 bilhão. O principal produto foi o milho, com exportação de US$ 1,23 bilhão (+54,8%) em volume de 7 milhões de toneladas (+40,9%).

 

Quase metade vai para Ásia

 

As exportações do agro cresceram para blocos econômicos e regiões geográficas: Ásia (+4,1%); Oriente Médio (+14,1%); Europa Oriental (+20,2%); demais da Europa Ocidental (+1,1%); e Oceania (+47,1%).

 

O destaque ficou por conta da Ásia, região que adquiriu quase metade do valor exportado pelo Brasil em produtos do agronegócio. As vendas para a região chegaram quase a US$ 14,92 bilhões (+4,1%). Com tal crescimento, a participação da região aumentou 1,9 ponto percentual.

 

Outra região que teve incremento relevante de participação nas aquisições de produtos do agronegócio brasileiro foi o Oriente Médio. A participação da região subiu de 7,3% do valor total exportado para 8,3%, um ponto percentual.

 

Saldo de US$ 7,36 bi no mês

 

No mês de abril, as exportações do agro atingiram US$ 8,57 bilhões, o que representou queda de 2,4% em relação aos US$ 8,79 bilhões no mesmo período de 2018. A participação no total das exportações brasileiras decresceu 1,1 ponto percentual no período, chegando a 43,5%.

 

As importações do setor totalizaram US$ 1,21 bilhão no mês, o que significou retração de 6,7% ante o US$ 1,3 bilhão em abril de 2018. Como resultado, o saldo da balança comercial do agronegócio diminuiu de US$ 7,49 bilhões para os atuais US$ 7,36 bilhões (-1,7%).

 

Em 12 meses, US$ 101,75 bi

 

As exportações brasileiras do agronegócio foram de US$ 101,75 bilhões nos últimos 12 meses (+4,7%). O maior valor da série ocorreu entre março de 2018 e fevereiro de 2019, quando o país exportou US$ 102,72 bilhões.

 

 

Fonte: MAPA

A expansão do setor agrícola elevou o potencial para irrigação, diz pesquisador da Embrapa

Com potencial para atingir 60 milhões de hectares, a área irrigada hoje no País, ocupa entre 6 e 7 milhões. Para os especialistas, um país nos moldes do Brasil, a estratégia para ampliar os números passa pela reinvenção do setor, o que envolve iniciativa privada, políticas públicas e gestão hídrica.

 

“No Brasil, há regiões como o semiárido nordestino, que a irrigação é a principal fornecedora de água. Em outras, a irrigação é complementar, pois o regime de chuvas é satisfatório e a irrigação complementa quando há eventuais faltas. Entretanto, há países como Chile e Peru com oferta de água restritiva e gestão de água mais eficiente que a nossa. Gestão hídrica é um desafio”, aponta o pesquisador da Embrapa Danilton Flumignan (Dourados-MS).

 

Ele afirma ao lado do professor da Unesp (Ilha Solteira-SP), Fernando Braz, que pesquisas na área já estão disponíveis. Entre os estudos está o monitoramento de áreas onde é possível implementar os sistemas de irrigação. Na região de Dourados, por exemplo, os estudos revelam que doze safras apresentaram carência hídrica, apesar de volume considerável de água no período. “Isso quer dizer que a planta não demonstrou todo o seu potencial genético devido a eventos com limitações hídricas”, conclui o especialista em irrigação e drenagem.

 

Os avanços também permeiam a expansão de estações agrometeorológicas e sensores de solo, assim como equipamentos. Em Mato Grosso do Sul, há ao redor de 8 mil hectares irrigado, 90 com pivôs centrais, conta o professor Braz, também doutor em irrigação e drenagem. Em solos arenosos, com baixa capacidade de retenção, o fornecimento hídrico é limitado e a irrigação é uma questão de sobrevivência, “uma ação agregadora da economia”.

 

O desafio de uma gestão hídrica eficiente parece não inibir o produtor. Segundo dados da Agência Nacional das Águas, a tendência de adesão à tecnologia é crescente, não somente para lavouras de grãos, mas também pecuária de corte. Para Braz, os mercados de confinamento e exportação para comunidades judaicas e muçulmanas fortalecem as iniciativas.

 

Flumignan e Braz participaram do Painel “Agricultura irrigada em solos arenosos”, o último do Simpósio Brasileiro de Solos Arenosos, que aconteceu na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), em Campo Grande (MS). Os pesquisadores Wenceslau Teixeira da Embrapa (Rio de Janeiro-RJ) e Teodorico Sobrinho (UFMS) também se apresentaram no painel.  Os solos arenosos representam ao redor de 10% dos solos brasileiros. Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, entre 15 e 20%, e o equivalente no Bioma Cerrado.

 

Simpósio

 

O III Simpósio Brasileiro de Solos Arenosos é promovido pela Sociedade Brasileira de Ciência do Solo (SBCS) e realizado pela Embrapa e UEMS, com o tema “Intensificação agropecuária sustentável em solos arenosos” e programação composta por palestras, mesas-redondas, apresentações de resumos e visita técnica. O evento aconteceu entre os dias 7 e 10 de maio, na UEMS (Campo Grande-MS).

Embrapa de Campo Grande promove curso de ultrassonografia em reprodução bovina

Entre os dias 14 e 16 de maio acontece na Embrapa em Campo Grande (MS), o Curso de Ultrassonografia na Reprodução Bovina, ministrado pelos médicos-veterinários Ériklis Nogueira e Alesssandra Nicácio, pesquisadores da Empresa e especialistas em reprodução bovina. Com vagas limitadas, as inscrições estão abertas pela internet e o treinamento é voltado para acadêmicos e veterinários.

 

A programação está dividida em teoria e prática. Na teórica, conceitos de anatomia, fisiologia, princípios de funcionamento e ajustes dos equipamentos serão relembrados. Já na prática, os alunos terão a oportunidade de praticar os exames e diagnósticos. “A teoria serve para oferecer uma base de nivelamento e a prática, desenvolver as habilidades”, definem os organizadores Nogueira e Nicácio. Entretanto, é possível o participante realizar somente a parte teórica, dependendo da sua necessidade.

 

Já o objetivo dos pesquisadores é capacitar os profissionais para o uso da técnica de ultrassonografia na reprodução, em especial, o trato genital feminino. Eles ressaltam que a ultrassonografia é uma importante ferramenta para diagnósticos precisos. Na reprodução animal ela permite diagnósticos precoces, ao redor de 30 dias, além da viabilidade do feto e da possibilidade de sexagem fetal ao redor de 60 dias de gestação.

 

Um dos avanços recentes da tecnologia é o doppler. “Essa metodologia permite avaliar a qualidade de irrigação sanguínea que o corpo lúteo tem e permite um diagnóstico de gestação mais precoce ainda”, afirma Nicácio. De acordo com Nogueira, a técnica pode ser utilizara para definir estratégias da fazenda, saber quando e quantos animais serão descartados, se é possível fazer desmama nas fêmeas e diversos outros benefícios.

 

“O criador que usa essa técnica acha muito rápido e muito fácil de se fazer pelo custo, que não se eleva demais em comparação com o que se paga pela viagem de um veterinário até a fazenda sem fazer ultrassom. E você tem uma grande vantagem na antecipação do diagnóstico”, explica o pesquisador. “Com o aumento da precisão e rapidez no diagnóstico, o produtor pode antecipar o descarte de animais e diminuir erros na avaliação ginecológica. A técnica favorece a intensificação da pecuária, beneficiando a eficiência de programas de inseminação e transferência de embriões”.

 

Segundo Nicácio, o trabalho com a ultrassonografia também oferece uma abertura de mercado ao médico veterinário. “Esse profissional agora tem um serviço a mais para oferecer: a sexagem fetal (…). E tem muito produtor que tem interesse nesse procedimento e paga pelo serviço.

 

Trabalhos em reprodução animal

A Embrapa reforçou recentemente a equipe de pesquisadores que investiga a reprodução bovina em Campo Grande com o intuito de desenvolver oportunidades para que os produtores obtenham diagnósticos precisos, reduzindo as perdas ao mínimo possível. “Para que a gente consiga dar o próximo salto, temos que empregar ferramentas que permitam absorver o máximo de eficiência reprodutiva, genética e alimentar que o sistema nos oferece hoje. Nesse sentido, ter um preciso diagnóstico de gestação e acompanhamento desse processo gestacional se torna decisivo para que o produtor maximize seus resultados“, descreve o chefe-geral da Embrapa Pantanal, Jorge Lara.

 

A partir disso, os especialistas pretendem continuar com os estudos em Inseminação Artificial por Tempo Fixo (IATF), utilizando mais ultrassonografia de ovários, e aprofundar os experimentos em biotecnologia, com produção de embriões in vitro. Isso tudo sem deixar de lado os trabalhos em andrologia, refrigeração e congelamento de sêmen. Outra possibilidade, pouco explorada, é a reprodução ovina.

 

Atualmente os veterinários que integram o grupo de reprodução bovina da Embrapa são: Alessandra Nicácio da Embrapa Gado de Corte (Campo Grande-MS), Ériklis Nogueira e Juliana Correa Borges Silva da Embrapa Pantanal (Corumbá-MS). Eles ainda têm o anseio de ampliar a oferta de capacitações ao público, permitindo maior troca entre pesquisa, assistência técnica e extensão rural. A próxima será o Repronutri, simpósio de reprodução e nutrição animal, que chega à sua 4ª edição nos dias 25 a 27 de setembro.