Armadilhas sustentáveis e de baixo custo ajudam a controlar principal praga da bananeira

 

Pesquisadores da Embrapa Mandioca e Fruticultura (BA) adaptaram armadilhas sustentáveis e de baixo custo que ajudam a controlar o besouro Cosmopolites sordidus, transmissor da broca-do-rizoma, ou broca-da-bananeira, um dos problemas da cultura da bananeira. As armadilhas consistem em pedaços de pseudocaule ou de rizoma cortado de bananeiras já colhidas — rizoma é a parte abaixo do solo, o caule verdadeiro da bananeira — que atraem o inseto pelo odor. Outra vantagem é que a armadilha do tipo cunha pode ser usada em sistema orgânico de produção, associada ou não ao controle biológico com Beauveria bassiana, fungo que pode parasitar insetos, matando-os ou incapacitando-os.

 

O vetor da broca-da-bananeira

 

O inseto vetor da broca-do-rizoma ou broca-da-bananeira mede cerca de 11 mm de comprimento por 5 mm de largura na idade adulta e é a principal praga da cultura da bananeira e dos plátanos (bananeiras tipo Terra) em todas as regiões brasileiras. Nos plátanos, provoca perdas que podem chegar até 80% da produção.

 

Ativo durante a noite e conhecido vulgarmente como moleque-da-bananeira, o Cosmopolites sordidus passa o dia em ambientes úmidos e sombreados, junto às touceiras e nos restos culturais espalhados pelo solo do bananal. “Esse inseto tem hábito noturno. Podemos dizer que ele tem vida livre porque não fica confinado no rizoma da bananeira”, explica a entomologista Marilene Fancelli, pesquisadora da Embrapa que estuda o monitoramento do inseto há mais de 20 anos.

 

O ataque severo às plantas acontece justamente na fase da larva, afetando a emissão de raízes, prejudicando a absorção de água e nutrientes, debilitando as plantas e as tornando mais sensíveis ao tombamento – problema acentuado nos plátanos em decorrência do maior porte – e à penetração de microrganismos patogênicos, capazes de produzir doenças infecciosas em seus hospedeiros nas condições favoráveis à sua sobrevivência e desenvolvimento.

 

Monitoramento via armadilhas

 

Para enfrentar o moleque-da-bananeira, a solução da Embrapa vem de trabalhos de domínio público com o incremento de uma nova possibilidade, sustentável e com uso de recursos disponíveis nas propriedades rurais. “Utilizamos um conhecimento que já vem de longa data que é o inseto adulto ser atraído pelos odores da planta: o pseudocaule ou o rizoma cortado. O inseto adulto vai sempre em busca de um novo hospedeiro para se desenvolver e iniciar o ciclo de infestação. Com base nessa informação, foram desenvolvidas as armadilhas para monitoramento do inseto adulto e toda a dinâmica em termos de monitoramento populacional foi feita com base no número de insetos encontrados nas armadilhas”, conta Fancelli.

 

Foto: Djane Silva

 

O nível de controle varia de dois até cinco insetos por armadilha, sendo o máximo de cinco em caso de bananais mais velhos. As armadilhas de monitoramento mais conhecidas são do tipo queijo e telha, que têm esses nomes devido ao formato, mas avaliações realizadas pela Embrapa desde 2015 em cultivo de plátanos na região baixo-sul da Bahia demonstram a superioridade de uma outra armadilha, em formato de cunha, que contribuiu com 40% dos insetos capturados na área, sendo que os outros dois tipos capturaram 30% cada.

 

 

Publicação técnica

 

Os resultados foram publicados no Comunicado Técnico 166, tendo como autores Juliana Silva Queiroz, à época bolsista da Embrapa Mandioca e Fruticultura, os pesquisadores Marilene Fancelli, Maurício Antonio Coelho Filho e Carlos Alberto da Silva Ledo e César Guillén Sánchez, professor da Universidade de Costa Rica, à época pesquisador da Corporación Bananera Nacional (Corbana).

 

 

Tipos de armadilha

 

A armadilha tipo telha é confeccionada com o pseudocaule da bananeira, que é a parte que fica acima do nível do solo e é cortada com cerca de 60 centímetros de altura. Partindo esse caule longitudinalmente são obtidas duas armadilhas. “Quando esse material é colhido, a parte cortada fica no solo; invertemos a sua posição e o inseto vai ser atraído pela armadilha e fica naquela parte cortada em contato com os odores da bananeira”, explica a pesquisadora.

 

As armadilhas são feitas com bananeiras já colhidas. Elas têm uma atratividade maior depois que atingem a fase de florescimento e após a colheita também; por isso, a atratividade desse material é maior para o inseto. É recomendado o corte da parte mais basal da planta, que é o material mais úmido. “Essas telhas têm que ficar na base da touceira ao lado da bananeira que ainda não produziu o cacho, daí ela vai ‘protegendo’, digamos assim”, continua.

 

De acordo com dados da literatura, a armadilha tipo queijo é cerca de dez vezes mais atrativa do que a armadilha do tipo telha e deve ser feita até 15 dias após a colheita para que possa conservar a umidade adequada para atrair os insetos adultos. A pesquisadora descreve o processo: “Faz-se um corte bem baixo no nível do rizoma, a cerca de 15 centímetros de altura. É um corte parcial de forma que se mantenha ainda o pedaço do pseudocaule unido à parte de baixo do rizoma. Ele vai abrir como se fosse uma boca, deixando uns 10% de área ainda sem cortar. Dessa forma, pode-se até colocar um apoio para favorecer a liberação dos gases que atraem os insetos.”

 

Já a armadilha sanduíche é produzida colocando as duas partes obtidas pelo corte do pseudocaule, uma em cima da outra na posição horizontal, na base da touceira da banana. “Fica, então, uma telha embaixo e outra em cima. Os insetos atraídos vão ficar entre uma fatia e outra”, relata Fancelli.

 

Como realizar o monitoramento

 

Para realizar o monitoramento, o produtor deve distribuir 20 armadilhas por hectare e voltar aos locais uma semana e duas semanas após a distribuição das armadilhas, fazer a contagem do número de insetos encontrados em cada armadilha e somar todos que ele encontrou e dividir pelo número de armadilhas. “Aí ele tem uma média populacional na primeira avaliação e na segunda avaliação. Ele calcula a média dessas duas avaliações e tem a média populacional no bananal, no lote ou no talhão avaliado. Se a média for superior a cinco adultos ele já está perdendo, já está tendo prejuízos, então ele precisa iniciar o controle”, orienta Fancelli.

 

 

 

A armadilha tipo cunha é adaptada de uma versão desenvolvida na Costa Rica, e considerada a mais eficiente para monitoramento populacional e controle da broca-do-rizoma. O entomologista César Guillén Sánchez utiliza as armadilhas, na Costa Rica, como método para determinar as populações de insetos e possíveis alternativas de controle. “Avaliei essas armadilhas principalmente para bananas Cavendish e Gros Michel. No caso de plátanos é um pouco diferente, pois nem sempre há muita disponibilidade de plantas recém-colhidas para fazer as armadilhas. Neste caso, utilizo as plantas recém-colhidas que estão presentes e completo as restantes com outros tipos de armadilhas, que também são eficientes quando não há material suficiente disponível”, comenta.

 

 

A armadilha cunha deve ser confeccionada com plantas colhidas em até, no máximo, 15 dias. Inicialmente o pseudocaule deve ser rebaixado a uma altura de 50 cm e, em seguida, dois cortes são feitos no pseudocaule a aproximadamente 15 cm acima do solo, no formato de V horizontal. O corte superior deve formar um ângulo de 45° graus em relação à superfície de corte inferior, paralela ao nível do solo. “Como ela fica com mais área de exposição em relação ao rizoma, ela conseguiu atrair mais insetos do que as outras armadilhas que testamos”, relata.

 

O engenheiro-agrônomo Tiago Struiving, consultor de fazendas produtoras de banana no norte de Minas Gerais, é um dos adeptos da armadilha tipo cunha há anos. “Para monitoramento, normalmente confeccionamos um número reduzido de iscas, 30 a 50 por hectare. Quando é para efeito de controle, fazemos o máximo possível de iscas na área para poder baixar a população do inseto”, explica.

 

Para Struiving, as principais vantagens são a praticidade e a longevidade da armadilha: “No dia a dia, ela é mais prática de se fazer do que a de tipo queijo e telha e, aparentemente, a cunha tem um período de atratividade maior.”

 

Fases de desenvolvimento do inseto

 

Cosmopolites sordidus apresenta quatro fases de desenvolvimento: ovo, larva, pupa e adulto. As fêmeas colocam os ovos isoladamente em pequenos orifícios abertos na periferia do rizoma, próximo ao nível do solo. Três a quatro dias depois, nascem as larvas que iniciam a construção de galerias tanto na parte interna como na periferia do rizoma, alimentando-se do tecido dos rizomas.

 

A fase larval dura entre 30 dias a 45 dias e é bastante severa para a planta que, em geral, apresenta desenvolvimento reduzido, amarelecimento das folhas e posterior secamento, falta de frutificação e, sobretudo em plantas jovens, morte da gema apical, que geraria o crescimento vertical da planta. Ao final desse tempo, é formada a pupa, que se localiza na periferia do rizoma mas não se alimenta mais. A fase pupal dura cerca de sete dias, sendo que, após esse período, emerge o adulto, um besouro de cor preta.

 

Reflore/MS e Famasul lançam ”12ª Campanha de Prevenção e Combate a Incêndios”

 

No dia 16 de abril, às 8h30min (pelo horário de MS), será lançada a ´12a Campanha de Prevenção e Combate a Incêndios´, uma iniciativa da Reflore/MS e empresas associadas, com parceria do Sistema Famasul e Senar/MS, e apoio do Governo de MS, Corpo de Bombeiros Militar e Ibama. O evento acontecerá no auditório da Famasul, em Campo Grande-MS.

 

Com o tema ´Prevenir é combater!´, a décima segunda edição da Campanha busca sensibilizar as populações rurais e urbanas sobre os riscos e impactos sociais, ambientais e econômicos que os incêndios florestais podem gerar, destacando a importância da prevenção e da união de todos.

 

“Prevenir é combater! A prevenção é o melhor caminho contra os incêndios florestais, por isso anualmente realizamos a Campanha para conscientizar as pessoas da cidade e do campo, levando conhecimento e compartilhando informações por meio de ações educativas, palestras, treinamentos, entre outras. Juntos, podemos fazer a diferença; cada um de nós tem um papel fundamental nesta luta!”, realça Junior Ramires, presidente da Reflore/MS (Associação Sul-Mato-Grossense de Produtores e Consumidores de Florestas Plantadas).

 

“A intenção é nos anteciparmos à época de grandes incêndios. Com esse trabalho desde cedo, reduziremos os riscos consideravelmente, principalmente nas nossas grandes áreas de florestas plantadas no estado, que vem avançando cada vez mais com a chegada de grandes indústrias. O Sistema Famasul atua na Campanha há quase dez anos, em parceria com as instituições e os produtores rurais, que sempre estão atentos e capacitados, por meio do Senar/MS, para combater o fogo.”, disse Marcelo Bertoni, presidente do Sistema Famasul.

 

Durante o lançamento serão apresentados dados sobre os incêndios registrados nos últimos anos em Mato Grosso do Sul, as ações que serão realizadas na Campanha deste ano e os esforços que os agentes e empresas do setor de base florestal têm feito no estado para prevenir e combater os focos.

 

Famasul

Suinocultura de MS deve atingir 150 mil matrizes nos próximos dois anos, estima Assumas

 

Com projeção de alcançar 150 mil matrizes nos próximos dois anos, a suinocultura de Mato Grosso do Sul está em plena ascensão. O status de livre de aftosa sem vacinação deve impulsionar as exportações e atrair novos investimentos para o Estado, abrindo oportunidades para o surgimento de novas agroindústrias.

 

 

A afirmação veio através do presidente da Asumas (Associação Sul-Mato-Grossense Suinocultores), Milton Bigatão, na quinta-feira (11), durante o II Encontro de Lideranças da Suinocultura de Mato Grosso do Sul. O evento realizado dentro da Expogrande 2024, reuniu autoridades e membros da indústria para discutir os rumos promissores da suinocultura.

 

“É um espaço democrático para mantermos o alinhamento com formadores de opinião e autoridades sul-mato-grossenses sobre a suinocultura. No evento, atualizamos os dados do setor para que todos entendam o desempenho da suinocultura, bem como os caminhos e as estratégias adotadas até aqui. Da mesma forma, são alinhadas ações futuras, para que a produção de suínos avance de forma sustentável”, afirmou Bigatão.

 

O presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul, Guilherme Bumlai, marcou presença no evento, assim como o governador do Estado, Eduardo Riedel e outros representantes de diversos segmentos.

 

Sustentabilidade foi a principal pauta do evento com destaque para o Programa Asumas de Sustentabilidade (PAS), lançado em 2023. O objetivo é a promoção de melhorias no desempenho ambiental, econômico e social da cadeia produtiva, desenvolver tecnologias e subsidiar políticas públicas que promovam a sustentabilidade.

 

A pauta com foco na sustentabilidade surgiu dos prórprios suinocultores do estado, que se preocupam com o desenvolvimento da cadeia produtiva. Como é o caso do suinocultor há mais de 14 anos, Renato Spera.

 

“Hoje o embasamento técnico é muito da embrapa de Concórdia e a gente tem que trazer isso para o solo do centro-oeste. Então nasceu essa oportunidade para a gente cada vez melhorar a nossa atividade e produzir com mais responsabilidade. Desde produzir energia solar, por placa solar, por biogás e toda a parte de sustentabilidade do tratamento de dejetos”, disse o produtor.

Pesquisadores transformam cascas de banana em filmes bioplásticos com método simples

 

A casca de banana é a matéria-prima utilizada por pesquisadores da Embrapa Instrumentação (SP) e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) para criar filmes bioplásticos com potencial aplicação como embalagens ativas de alimentos. Por meio de um processo simples, com pré-tratamentos brandos, que utilizam apenas água ou uma solução ácida diluída, os pesquisadores converteram integralmente e pioneiramente cascas de banana em filmes bioplásticos com excelentes propriedades antioxidantes, proteção contra a radiação ultravioleta (UV), e sem gerar resíduos.

 

Os filmes tiveram desempenho igual ou até melhor do que muitos bioplásticos preparados de forma semelhante, a partir de outros tipos de biomassa, mas por meio de outros métodos, incluindo processos mais complexos, caros e demorados, portanto, menos produtivos, para a transformação de resíduos agroalimentares.

 

 

A cadeia de valor da banana, em particular, gera uma quantidade significativa de subprodutos que atualmente são subutilizados ou descartados indevidamente, resultando em perdas e problemas ambientais. De acordo com pesquisadores brasileiros, para cada tonelada de banana processada, podem ser gerados até 417 kg de cascas.

 

Daí partiu a motivação dos pesquisadores, reduzir o lixo gerado pelo descarte da casca, aproveitando-a integralmente, inclusive seus inúmeros compostos bioativos, como fenólicos, e a pectina, um importante polissacarídeo que pode ser utilizado na produção de filmes biodegradáveis.

 

 

“Portanto, o aproveitamento como filme bioplástico é uma oportunidade de valorizar este resíduo e diminuir o impacto ambiental associado ao uso de plásticos não biodegradáveis”, enfatiza o engenheiro químico Rodrigo Duarte Silva, que desenvolveu o filme durante seu pós-doutorado sob a supervisão da pesquisadora da Embrapa Henriette Monteiro Cordeiro de Azeredo .

 

Azeredo esclarece que o filme preparado em escala de laboratório, de cor amarronzada e espessura micrométrica, pode ser usado como embalagem primária de produtos propensos a reações de oxidação. Os resultados promissores obtidos experimentalmente encorajaram os pesquisadores a dar continuidade aos estudos para melhorar ainda mais algumas propriedades do filme. Entre elas, estão as de interação com a água, um desafio da pesquisa devido à alta afinidade por água das moléculas presentes na biomassa.

Além disso, os pesquisadores pretendem, em aproximadamente um ano e meio, desenvolver o filme bioplástico em escala piloto para tornar o processo ainda mais interessante do ponto de vista industrial.

 

 

 

 

O processo da película de banana

 

O estudo, apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), se propôs a apresentar um processo simples para preparar diretamente filmes bioplásticos a partir de cascas de banana.

 

No Laboratório Nacional de Nanotecnologia para o Agronegócio (LNNA), os pesquisadores utilizaram cascas de bananas da variedade Cavendish, a mais consumida e cultivada no mundo, conhecida como nanica ou banana d’água no Brasil, cuja produção anual é estimada em 50 milhões de toneladas, segundo dados de 2022 da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

 

Para a obtenção dos filmes, Silva explica que as cascas de banana foram secas e moídas, resultando em um pó. Dois tipos de pós foram preparados: um a partir de cascas de banana não branqueadas, que acabaram escurecendo durante a secagem devido à ação de enzimas como polifenol oxidase, e outro a partir de cascas de bananas submetidas a um processo prévio de branqueamento – fervura em solução de ácido cítrico diluído – para inativar essas enzimas. “Dessa forma, foi possível analisar a influência da ação das enzimas nas propriedades finais dos filmes”, conta o pesquisador.

 

 

Além disso, os pesquisadores investigaram o impacto do tipo de pré-tratamento aplicado às cascas de banana (hidrotérmico, à base de água, ou pré-tratamento com solução diluída de ácido sulfúrico), e da adição ou não de carboximetilcelulose – um polímero biodegradável derivado da celulose que atua como ligante – em baixa concentração nos filmes.

 

Segundo Silva, o objetivo dos pré-tratamentos, realizados em autoclave, a 121 °C por apenas 30 minutos, é modificar a estrutura da biomassa para permitir a formação dos filmes. Por meio dos dois pré-tratamentos, a pectina presente na casca de banana foi solubilizada com sucesso.

 

 

 

De acordo com Azeredo, o tratamento hidrotérmico vem se despontando como um processo ecologicamente amigável por utilizar apenas água como reagente, e já foi empregado para converter subprodutos de laranja em filmes bioplásticos. No entanto, ainda não havia sido aplicado à casca de banana. Os poucos estudos relatados na literatura sobre filmes preparados a partir de casca de banana destinados a embalagens foram desenvolvidos sem aplicação de pré-tratamentos, o que pode comprometer as propriedades do material final.

 

“Tanto o pré-tratamento hidrotérmico como o pré-tratamento com ácido sulfúrico demonstraram ser eficazes para a preparação de filmes de cascas de banana. Embora tenhamos utilizado as cascas na forma de pó, o que oferece vantagens em termos de armazenamento e preservação da matéria-prima, é possível adaptar o processo para utilizar cascas úmidas, o que pode simplificá-lo ainda mais”, conta o pesquisador em pós-doutorado.

Fotos: Maria Fernanda

 

Resultados promissores

 

Para Henriette Azeredo, o estudo mostrou que as propriedades mecânicas dos filmes, positivamente afetadas pela incorporação de carboximetilcelulose, são comparáveis às de outros filmes já preparados utilizando outros subprodutos integrais, como os de abacate, que tiveram adição de pectina. Além disso, algumas propriedades mecânicas dos filmes foram comparáveis às do polietileno de baixa densidade (PEBD).

 

Outra vantagem é que os filmes bloquearam mais de 98% da radiação ultravioleta na faixa UVA e mais de 99,9% na faixa UVB. Esse tipo de radiação é bastante conhecido por causar queimaduras na pele após exposição ao sol, por exemplo, mas também promove a deterioração oxidativa de alimentos. De acordo com os pesquisadores, esse benefício compensa a transparência limitada dos filmes, tornando-os propícios para proteger os alimentos contra este tipo de radiação.

 

Os filmes apresentaram excelentes propriedades funcionais, retendo, no mínimo, 50% da atividade antioxidante da matéria-prima de partida.

 

De acordo com os pesquisadores, essas propriedades foram fortemente influenciadas pelo processo de branqueamento, que ajudou a evitar a degradação dos compostos fenólicos presentes nas cascas de banana. Além disso, alguns dos filmes preparados apresentaram superfícies hidrofóbicas, que afastam moléculas de água, o que é particularmente interessante no contexto de materiais para embalagens de alimentos.

 

“Cascas de banana pré-tratadas hidrotermicamente surgem como uma biomassa promissora para produzir bioplásticos adequados para aplicações em embalagens de alimentos, por causa de suas ótimas propriedades antioxidantes e de superfície, podendo contribuir para a transição de uma bioeconomia circular,” enfatiza Henriette Azeredo.

Ela ainda lembra que os filmes podem contribuir para evitar o desperdício de alimentos e possivelmente prolongar a vida destes se o bioplástico for utilizado como embalagem, já que possuem propriedades antioxidantes de barreira à luz.

 

Foto: Maria Fernanda

Publicação científica

 

O estudo“From bulk banana peels to active materials: Slipping into bioplastic films with high UV-blocking and antioxidant properties” foi publicado no Journal of Cleaner Production, em janeiro deste ano.

 

O artigo é  assinado por Rodrigo D. Silva e Henriette M. C. Azeredo (Embrapa Instrumentação), Thályta F. Pacheco (Universidade de Brasília/Embrapa Agroenergia), Amanda D. de Santi (Universidade de São Paulo, campus São Carlos), Fabiana Manarelli, Breno R. Bozzo  e Caio G. Otoni (Universidade Federal de São Carlos), e Michel Brienzo (Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”).

 

 

Viabilidade da citricultura em Mato Grosso do Sul é apresentada na Expogrande neste sábado

 

A Expogrande 2024 é palco para debater o investimento e crescimento da citricultura em Mato Grosso do Sul. A viabilidade econômica e de produção será apresentada por dois dos mais importantes especialistas do setor. O encontro é aberto ao público neste sábado, dia 13, às 10h, no auditório da Acrissul.

 

O Brasil é o maior produtor de laranja do mundo e domina o cenário global, com uma participação de 75% do mercado internacional. De acordo com dados do Fundecitrus, apresentados neste último dia 10 de abril, o encerramento da safra de laranja 2023/24 do cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo e Sudoeste Mineiro, contou com uma safra de 307,22 milhões de caixas de 40,8 kg, 2,22% inferior ao colhido na safra passada.

 

Um dos principais motivos para as quedas sucessivas na produção nacional é o agravamento do greening, considerada a doença dos citros de maior impacto no mundo pela dificuldade de controle, rápida disseminação e por ser altamente destrutiva, com concentração de pomares contaminados no Estado de São Paulo.

 

Mato Grosso do Sul ganha forte competitividade e tem ampliado sua importância e ajudado na diversificação da produção agrícola estadual. Atualmente há no Estado 2 mil hectares de plantio de limão, laranja e tangerina, com projeção de ampliar em mais 1,8 mil hectares, considerando as áreas de cultivo nas unidades de produção, que são cadastradas na Iagro.

 

A palestra será ministrada pelo engenheiro agrônomo Roberto Aparecido Salva, com experiência no setor através de multinacionais como a Basf e Dreyfus, na Fundecitrus, proprietário da Citros Salva e Cutrale, entre outros. O também agrônomo Rubens Stamato Júnior, consultor de agronegócios em instituições como Fundo Paulista de Defesa da Citricultura, Cargill Agrícola, com experiência em implementação de projetos nos Estados Unidos, Alemanha, Holanda e China.

Lula e ministro da Agricultura participam hoje do primeiro embarque de carne para China, em MS

 

Lula e o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, acompanham nesta sexta-feira, 12/4, o primeiro embarque de carne para a China a partir de plantas recém-habilitadas para exportar ao país asiático. O evento será a partir das 10h no horário local (11h de Brasília) em uma unidade da fábrica da JBS em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.

 

A planta é uma das 38 habilitadas pela China em 12 de março. Entre elas, são 24 de processamento de bovinos, oito de frangos, além de um de termoprocessamento e cinco entrepostos. Antes da lista recente, o Brasil tinha 106 plantas habilitadas para a China, sendo 47 de aves, 41 de bovinos e 17 de suínos.

Safra de grãos 2023/2024 está estimada em 294,1 milhões de toneladas, anuncia Conab

 

A sétima estimativa da safra de grãos 2023/2024, divulgada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), nesta quinta-feira (11), aponta que a produção de grãos no país deverá atingir um total de 294,1 milhões de toneladas, o que representa uma redução de 8% à obtida na temporada passada, ou seja, 25,7 milhões de toneladas a menos a serem colhidas. Com uma área estável, estimada em 78,53 milhões de hectares, a quebra se deve, sobretudo, à atuação da forte intensidade do fenômeno El Niño, que em 2023 teve influência negativa desde o início do plantio até as fases de desenvolvimento das lavouras nas regiões produtoras do país. Isso impactou na produtividade média, que saiu de 4.072 quilos por hectare para 3.744 kg/ha.

 

Com a entrada da fase final da colheita das culturas de primeira safra, as atenções se voltam ao desenvolvimento das lavouras de segunda e terceira safra, bem como às culturas de inverno. O comportamento climático continua como fator preponderante para o resultado final do atual ciclo. Comparativamente à previsão anterior da Companhia, divulgada no início de março, há uma redução na produção total de 1,52 milhão de toneladas, com as maiores quedas observadas no milho, 1,79 milhão de toneladas, e na soja, 336,7 mil toneladas. Por outro lado, arroz, algodão, gergelim, sorgo, e, principalmente, feijão apresentam perspectivas de aumento de produção em relação ao último levantamento.

 

Com os trabalhos de colheita avançados nos principais estados produtores, atingindo em torno de 76,4% da área cultivada no país, a estimativa de produção de soja é de 146,52 milhões de toneladas, redução de 5,2% sobre a safra anterior. Tal redução se deve às baixas precipitações e às temperaturas acima do normal nas principais regiões produtoras do Centro-Oeste e Sudeste, ocasionando atraso do plantio e perdas na produtividade.

 

Principal cultura cultivada na segunda safra, o milho tem produção total estimada em 110,96 milhões de toneladas. De acordo com o Progresso de Safra, publicado pela Conab nesta semana, os trabalhos de colheita da primeira safra do cereal, quando é esperada uma produção de 23,36 milhões de toneladas, atingem 51% da área cultivada. Já a semeadura da segunda safra está praticamente finalizada. Em Mato Grosso, a maioria das lavouras apresenta bom desenvolvimento, assim como em Goiás e Minas Gerais. Porém, em Mato Grosso do Sul e no Paraná, a redução das precipitações em março provocou sintomas de estresse hídrico em diversas áreas, comprometendo o seu potencial produtivo. Nas demais regiões produtoras, as lavouras apresentam bom desenvolvimento, apesar do atraso no plantio. A estimativa para a segunda safra de milho está em 85,62 milhões de toneladas.

 

No caso do feijão, que possui 3 ciclos de cultivo dentro da temporada, a expectativa é que a segunda safra tenha um acréscimo de 18,4% na produção, com uma colheita estimada em 1,5 milhão de toneladas. Esse bom desempenho contribui para o abastecimento interno de um importante produto consumido pelos brasileiros, uma vez que a atual estimativa para a leguminosa é de uma produção total de 3,2 milhões de toneladas. Também é verificado um cenário de recuperação para o arroz. Com a área de plantio estimada em 1,5 milhão de hectares, 4,4% superior à da safra anterior, estima-se uma produção em 10,57 milhões de toneladas, 5,3% acima da obtida no ciclo anterior.

 

A área cultivada de algodão também registra crescimento, passando de 1,7 milhão de hectares para 1,9 milhão de hectares, justificado principalmente pelas boas perspectivas de mercado. As condições climáticas continuam favorecendo as lavouras e a previsão é que sejam colhidas cerca de 3,6 milhões de toneladas de pluma, alta de 13,4%. Para o trigo, a estimativa atual indica uma produção de 9,73 milhões de toneladas.

Mercado – Neste levantamento, a Companhia ajustou as estimativas de exportação para o milho na safra 2023/24, uma vez que a produção total do cereal foi reduzida. Com isso, a nova expectativa é de um volume de 31 milhões de toneladas embarcadas, volume 43,3% inferior ao obtido no ciclo passado. Já o consumo interno está projetado em torno de 84 milhões de toneladas do grão.

 

No caso do feijão, o aumento na produção possibilita um incremento no estoque de passagem da leguminosa. Já para o arroz as projeções no quadro de suprimentos permaneceram praticamente estáveis, com a Companhia estimando uma expansão do consumo nacional para 10,5 milhões de toneladas.

 

Clique aqui e confira as informações das principais culturas cultivadas no país no 7º Levantamento da Safra de Grãos 2023/2024.

Expogrande recebe Encontro de Lideranças da Suinocultura nesta quinta-feira

 

Nesta quinta-feira, 11, a Expogrande abrirá espaço para a suinocultura de Mato Grosso do Sul. A partir das 10h30, acontecerá o II Encontro de Lideranças da Suinocultura de MS, reunindo parlamentares, representantes do governo do estado, prefeitos, instituições financeiras e produtores rurais de diversas regiões do estado. O intuito do evento é debater o desenvolvimento do setor.

 

Esta será a segunda edição o evento e debaterá, principalmente, a sustentabilidade da cadeia, por meio do PAS – Programa Asumas de Sustentabilidade, lançado no ano passado, que tem por objetivo a promoção de melhorias no desempenho ambiental, econômico e social da cadeia produtiva, desenvolver tecnologias e subsidiar políticas públicas que promovam a sustentabilidade.

 

“É um espaço democrático para mantermos o alinhamento com formadores de opinião e autoridades sul-mato-grossenses sobre a suinocultura. No evento atualizamos os dados do setor, para que todos entendam o desempenho da suinocultura, bem como os caminhos e as estratégias adotadas até aqui. Da mesma forma, são alinhadas ações futuras, para que a produção de suínos avance de forma sustentável”, explica o presidente da Asumas, Milton Bigatão.

 

O evento é gratuito e acontecerá no Tatersal II. O Programa Asumas de Sustentabilidade será apresentado pelo diretor da Associação, Neimar Bezerra de Oliveira.

 

 

Fonte: Acrissul

Pavilhão da Asmaco apresenta animais de diversas raças de ovinos na Expogrande

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Com espaço maior e reformado desde a última edição da Expogrande, o tradicional pavilhão da Asmaco (Associação Sul-Mato-Grossense de Criadores de Ovinos), reúne aproximadamente 100 animais de sete espécies ovinas. A estrutura desperta a curiosidade dos visitantes e também a de compradores que devem injetar aproximadamente R$ 250 mil na economia durante a Expogrande 2024.

 

Mesmo diante da crise no agronegócio, o presidente da associação, Fabio Miranda Mori, conhecido popularmente como “Vermelho”, está otimista em relação à comercialização de animais melhorados geneticamente.

 

“Apesar da visitação ser maior que a parte de venda, esta semana o movimento surpreendeu bastante e tivemos mais procura por algumas espécies. O diferencial deste ano é o investimento na qualidade genética dos animais. As baias estão cheias e com raças que vem crescendo no estado”, diz o representante.

 

Montada ao lado da administração da Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul), o pavilhão movimentou em 2023 mais de R$ 250 mil com a venda de 50 reprodutores. A Associação possui diversos produtores de cordeiro, sendo a grande maioria em genética. O pavilhão conta com sete expositores associados.

 

“Cada criador é responsável pelos animais. A Asmaco está oferecendo o “volumoso”, uma mistura de feno e silagem de graça para os animais, além da troca de água pelos estagiários dos cursos de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Temos funcionários da associação que ficam 24hs para cuidar dos bichos”, pontua.

 

Dentre as raças apresentadas na exposição estão: Santa Inês, Texel, Suffolk, Dorper, Hampshire Down,  Bergamácia.

 

Raça francesa

 

A Ile de France, raça de ovinos originária da França, apresenta animais de grande porte, com constituição robusta e conformação harmoniosa, típica de um animal produtor de carne. Produz uma carcaça pesada, de excelente qualidade.

 

É bastante precoce. Os cordeiros apresentam bom ganho de peso: 23,2 kg aos 70 dias. Ovelhas adultas pesam cerca de 80 kg; o peso dos carneiros varia entre 110 e 160 kg. Raça muito prolífera, atingindo médias de nascimentos de 160%.

 

Criador de ovinos há quase 30 anos, Jorge Tupirajá é referência na produção da Ile de France e diz que está com boas expectativas de negócios.

 

“O espaço está maior e conseguimos acomodar mais animais e temos um cuidado específico no trato deles. A Expogrande é uma oportunidade para mostrar todo o potencial da raça”, destaca o ovinocultor.

 

Confira o cronograma de eventos

 

Boas práticas da agropecuária, novas tecnologias, palestras técnicas no dia 12/04/2023.

 

07h30min – Recepção e credenciamento

 

08h – Conheça a Asmaco – Associação Sul-Mato-Grossense de Criadores de Ovinos

 

09h – Cuidados com o cordeiro: do nascimento a desmama

 

10:00 – Assistência Técnica e Gerencial na ovinocultura: o case de sucesso do cordeiro “Do Patron”

 

11h – Desossa de carcaça ovina e degustação de cordeiro “Do Patron”

 

 

Fonte: Acrissul